Publicado 10/07/2026 09:34

A World Vision alerta para uma crise de longo prazo na Venezuela: “É uma emergência dentro de outra emergência”

Ela afirma que as crianças são as “mais afetadas” pelas consequências dos terremotos e pede o “apoio do mundo inteiro”

Imagem de arquivo mostrando vários bombeiros ajudando nas operações de resgate na Venezuela.
DIPUTACIÓN DE BADAJOZ

MADRID, 10 jul. (EUROPA PRESS) -

A responsável pelas Relações Internacionais da World Vision na Venezuela, Claudia González, alertou nesta sexta-feira que tudo indica que o país entrará em uma crise de longo prazo após os fortes terremotos registrados em 24 de junho, que, até o momento, já causaram cerca de 3.900 mortos, e ressaltou que se trata de “uma emergência dentro de outra emergência”.

“Isso é muito difícil para a população da Venezuela. Eles perderam tudo: as escolas, os meios de sustento para sustentar suas famílias, tudo. Tenho muito orgulho do trabalho da nossa organização. Esta não é uma emergência que terminará nos próximos dias, mas sim uma que veremos se prolongar ao longo do tempo”, lamentou González durante uma coletiva de imprensa virtual realizada em Caracas, na Venezuela.

Nesse sentido, ela ressaltou que é necessário que as pessoas “compreendam que não é possível lidar com essa emergência sem o apoio do mundo inteiro”, ao mesmo tempo em que agradeceu a toda a comunidade latina na Europa. “Eles têm feito doações por meio dos escritórios da ONG nesta campanha mundial para devolver a vida e o mundo a mais de 700 mil crianças que foram afetadas”, afirmou.

Assim, ele afirmou que são justamente as crianças as que foram mais duramente atingidas pelas consequências dos terremotos, mas destacou o trabalho da organização, cujas equipes continuam atuando no local para atender às principais necessidades da população nas áreas mais afetadas, especialmente na região de La Guaira, que foi declarada zona de desastre e se encontra militarizada.

“Acreditamos que as crianças são as mais afetadas por esses terremotos e estamos cuidando daquelas que sobreviveram. Estamos cuidando delas, oferecendo-lhes abrigo e garantindo que tenham a vida e o respeito que merecem. Esperamos que, nos próximos dias, possamos desenvolver novos projetos que lhes permitam seguir em frente, porque a vida continua apesar do que aconteceu; a vida nos impulsiona”, destacou.

Por sua vez, o diretor-geral da World Vision na Venezuela, Peter Gape, afirmou que a equipe da World Vision “está mantendo um registro das pessoas e famílias às quais presta assistência”. “Capacitamos nossos parceiros, que administram refeitórios comunitários para as famílias. Garantimos que recebam o treinamento necessário e continuamos fazendo isso”, explicou.

DOAÇÕES E ACESSO À ESCOLA

“Fornecemos equipamentos de cozinha, como fogões e geladeiras, pois eles têm recebido muitas doações de alimentos perecíveis. Garantimos que possam refrigerá-los. É isso que temos feito nas últimas duas semanas”, afirmou.

No entanto, ele destacou que as aulas continuam suspensas, especialmente em La Guaira e nas áreas mais afetadas. “Estamos dispostos a trabalhar com as autoridades para entender qual é o plano a ser seguido”, declarou, antes de destacar o trabalho da ONG na área educacional.

“É possível que, de fato, ativemos uma iniciativa de emergência educacional em conjunto com as demais organizações parceiras para garantir que as crianças que não puderem retornar à escola nos próximos meses recebam a atenção de que precisam no próximo ano letivo”, acrescentou.

Sobre o processo de reconstrução em vista de futuros terremotos, ele destacou que “há entidades de outros países, como o Japão e o Chile, que já realizaram avaliações iniciais” a esse respeito. “Vi que esses especialistas afirmam que sim, que regiões como La Guaira, a zona zero e as áreas mais afetadas podem ser reconstruídas”, afirmou.

“Acredito que seja algo em que as autoridades terão que trabalhar com os especialistas para garantir que o que for construído depois seja mais resistente. Mas, enfim, repito, não sou especialista e cresci em um país com muitos terremotos. Acho que é possível construir algo, mas depois de um evento dessa magnitude... não há garantia de 100%”, afirmou.

A diretora executiva da organização no Reino Unido, Fola Komolafe, observou, por sua vez, que “não dá para saber exatamente qual é a dimensão” de tudo o que foi vivido após os terremotos: “Passamos por momentos muito difíceis”. “Também perdemos pessoas de nossas equipes”, expressou.

“Ontem vi, em grande parte, a resiliência das pessoas, mas também o impacto do nosso trabalho no local”, disse ela, antes de destacar “a generosidade das famílias, que doaram alimentos e suprimentos”. “Elas foram muito generosas, sabe?, e foi bom poder fazer algo enquanto as comunidades faziam fila para receber comida, pois haviam perdido tudo”, continuou.

Além disso, explicou que “as pessoas pedem o mais básico: passaportes, documentos de identidade... É quase como tentar entender como reconstruir sua vida, mesmo que você tenha sobrevivido”, testemunhou.

“Conheci uma menina de onze anos que descrevia sua cidade como um cemitério. Depois, ela contou que não tinha conseguido se formar duas vezes, primeiro por causa da pandemia de coronavírus e agora por causa do terremoto”, concluiu.

As autoridades venezuelanas elevaram para cerca de 3.890 o número de mortos decorrentes dos devastadores terremotos registrados na região central do litoral do país no último dia 24 de junho, enquanto o número de feridos permanece, assim como nos últimos boletins oficiais, em 16.740 pessoas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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