MADRID 12 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma montanha na borda da cratera Jezero de Marte, onde o rover Perseverance da NASA está coletando amostras para seu possível retorno à Terra, é provavelmente um vulcão.
Chamada de Jezero Mons, ela tem quase a metade do tamanho da cratera e pode fornecer pistas cruciais sobre a habitabilidade e o vulcanismo de Marte, transformando nossa compreensão da história geológica do planeta, de acordo com evidências coletadas por cientistas da Georgia Tech, que eles apresentam na revista Communications Earth & Environment.
"O vulcanismo em Marte é intrigante por várias razões, desde suas implicações para a habitabilidade até o melhor delineamento da história geológica", diz o coautor James J. Wray, professor da School of Earth and Atmospheric Sciences. "A cratera Jezero é um dos locais mais bem estudados de Marte. Se estamos identificando um vulcão aqui agora, imagine quantos mais podem existir em Marte. Os vulcões podem estar ainda mais espalhados em Marte do que pensávamos.
UMA MONTANHA NAS MARGENS
Wray observou a montanha pela primeira vez em 2007, enquanto estudava a cratera Jezero como estudante de pós-graduação. "Eu estava olhando fotos de baixa resolução da área e notei uma montanha na borda da cratera", lembra ele. Para mim, parecia um vulcão, mas era difícil obter mais imagens.
Na época, a cratera Jezero havia sido descoberta recentemente, e as imagens se concentravam quase que exclusivamente em sua intrigante história de água, que fica no lado oposto da cratera de 45 quilômetros de largura.
Então, devido a esses depósitos sedimentares semelhantes a lagos, a cratera Jezero foi escolhida como local de pouso para o rover Perseverance 2020, uma missão em andamento da NASA que busca sinais de vida marciana antiga e coleta amostras de rochas para possível retorno à Terra.
No entanto, após a aterrissagem, algumas das primeiras rochas que o Perseverance encontrou não eram depósitos sedimentares, como seria de se esperar de uma área previamente inundada: eram vulcânicas. Wray suspeitava que poderia saber a origem dessas rochas, mas para provar isso, ele precisaria mostrar que a montanha na borda da cratera Jezero poderia ser um vulcão.
Os pesquisadores decidiram então usar conjuntos de dados coletados por naves espaciais em órbita de Marte para comparar as propriedades do Jezero Mons com as de outros vulcões conhecidos.
"Não podemos visitar Marte e provar definitivamente que Jezero Mons é um vulcão, mas podemos mostrar que ele compartilha as mesmas propriedades dos vulcões existentes, tanto na Terra quanto em Marte", explica Wray.
"Usamos dados da Mars Odyssey, do Mars Reconnaissance Orbiter, do ExoMars Trace Gas Orbiter e do rover Perseverance para decifrá-lo", acrescenta. "Acho que isso mostra que essas espaçonaves mais antigas podem ser extremamente valiosas muito tempo depois do término de suas missões iniciais; essas espaçonaves ainda podem fazer descobertas importantes e nos ajudar a responder perguntas complexas."
A BUSCA PELA VIDA E A DETERMINAÇÃO DA IDADE DE MARTE
A descoberta torna a cratera ainda mais intrigante na busca por vida passada em Marte. Um vulcão tão próximo da cratera aquosa de Jezero poderia acrescentar uma fonte crítica de calor a um planeta que, de outra forma, seria frio, incluindo o potencial de atividade hidrotérmica, energia que a vida poderia usar para prosperar.
Esse tipo de sistema também é de interesse para Marte como um todo. "A coalescência desses dois tipos de sistemas torna Jezero mais interessante do que nunca", compartilha Wray. "Temos amostras de rochas sedimentares incríveis que podem vir de uma região habitável."
Se retornarem à Terra, as rochas ígneas poderão ser datadas radioisotopicamente para determinar sua idade com alta precisão. A datação de amostras da cratera Jezero poderia ser usada para calibrar estimativas de idade, fornecendo uma visão sem precedentes da história geológica do planeta.
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