Promete apresentar propostas em novembro para aplicar os benefícios da IA na saúde, nos transportes, no setor agroalimentar, na defesa e no espaço
BRUXELAS, 16 set. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu nesta quarta-feira a necessidade de “limitar os riscos da Inteligência Artificial (IA)” para “maximizar os benefícios” e considerou que a corrida pela liderança no setor não depende mais de avanços de ponta em IA, mas sim de aproveitar a tecnologia já existente para um desenvolvimento “mais responsável”, que permita capacitar os profissionais em vez de substituí-los.
“Nossa abordagem é clara. Queremos a IA. Queremos que a IA gere mais valor de maneira mais responsável, a um custo menor e com menor consumo de energia. Mas, acima de tudo, queremos uma IA com intervenção humana”, defendeu Von der Leyen perante o plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), durante o Debate sobre o Estado da União (SOTEU, na sigla em inglês).
Assim, ela afirmou que “não é necessário” concentrar-se no desenvolvimento de tecnologias de ponta, mas que a União deve ser quem “tirar maior proveito” e criar o valor agregado que os próprios modelos ainda não criaram; para levar a IA “das telas para a economia e a sociedade reais”, por exemplo, para as salas de hospitais, a agricultura de precisão, as redes energéticas, a direção autônoma ou a indústria de defesa.
PROPOSTAS EM NOVEMBRO PARA OS SETORES DE SAÚDE, DEFESA, TRANSPORTE E AGRICULTURA
Como exemplo, a chefe do Executivo comunitário afirmou que as mamografias com IA podem “detectar mais casos de câncer e de forma mais precoce”, de modo que “mais mulheres possam sobreviver” com a aplicação dessa tecnologia a um exame “essencial” na luta contra o câncer de mama. No entanto, ela defendeu um “modelo europeu” para a integração da IA no setor da saúde, de modo que o médico possa acessar todos os dados instantaneamente graças à tecnologia e aprimorar o diagnóstico, mas sem que o médico seja “assistido por um robô”.
“Não quero que um robô me diga se tenho câncer ou não”, alertou Von der Leyen, para em seguida ressaltar que “a questão é que a IA deve capacitar nossos médicos, não substituí-los”.
Nesse contexto, a presidente da Comissão Europeia anunciou que prevê que seu Executivo apresente, no mês de novembro, uma proposta com “iniciativas revolucionárias” sobre como aplicar as vantagens da IA em setores como saúde, transporte, agroalimentar, manufatura avançada, defesa e espaço.
Antes disso, Bruxelas convidará os Estados-membros, os eurodeputados, a indústria e os empresários a se unirem a essa reflexão para dar suas contribuições a esse “ambicioso projeto europeu”. “Nossa abordagem é clara. Queremos a IA. Queremos que a IA gere mais valor de maneira mais responsável, a um custo menor e com menor consumo de energia. Mas, acima de tudo, queremos uma IA com intervenção humana”, concluiu.
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