Publicado 12/05/2026 05:57

Von der Leyen critica empresas de tecnologia que usam menores como "mercadoria" e pede que se adie o acesso às redes sociais

Archivo - Arquivo - 29 de maio de 2025, Renânia do Norte-Vestfália, Aachen: Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, discursa após receber o Prêmio Internacional Carlos Magno na Prefeitura. Von der Leyen foi homenageada por ser a “voz forte
Federico Gambarini/dpa-Pool/dpa - Arquivo

BRUXELAS 12 maio (EUROPA PRESS) -

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, criticou nesta terça-feira o modelo de negócios das grandes plataformas que tratam os menores como “mercadoria” e defendeu que a União Europeia (UE) tome medidas para adiar o acesso dessas crianças às redes sociais, ao mesmo tempo em que alertou que as empresas de tecnologia são responsáveis por garantir a “segurança” de seus serviços.

“Acredito que devemos considerar a introdução de um adiamento no acesso às redes sociais”, defendeu a conservadora alemã em um discurso focado nos riscos da internet para menores, proferido na Dinamarca, um dos países da União que se prepara para estabelecer uma idade mínima para o uso desses conteúdos online.

Von der Leyen lembrou que criou, há meses, um grupo de trabalho com especialistas para analisar a situação e avaliar possíveis medidas; por isso, não quis adiantar que tipo de iniciativas sua Comissão pretende propor, mas indicou que espera poder esclarecer ainda neste verão se apresentará uma proposta legislativa concreta para estabelecer esse limite ou outras ações.

Dessa forma, ela reconheceu que mudanças duradouras “não acontecem da noite para o dia”, mas alertou que, se a União agir “com lentidão e indecisão”, exporá toda uma nova geração de crianças a “pagar as consequências”, após lembrar que, apesar das normas e medidas em vigor, há até mesmo empresas que “incentivam ativamente” os adolescentes a “contornar” os bloqueios ou medidas de segurança. “Vamos nos concentrar em definir normas claras sobre como estruturar um adiamento no acesso às redes sociais na Europa”, pediu.

“Não podemos mais ignorar os debates sobre a idade mínima de acesso às redes sociais. Praticamente todos os Estados-Membros pedem que a necessidade de uma idade mínima seja submetida a uma avaliação”, explicou a chefe do Executivo comunitário, que lembrou que, além da Dinamarca, outros nove países (incluindo França e Espanha) e o Parlamento Europeu defendem essa medida.

Assim, Von der Leyen também quis contextualizar o debate e assegurou que “a questão não é saber se os jovens devem ter acesso às redes sociais, mas sim saber se as redes sociais devem ter acesso aos jovens”. Na mesma linha, deixou claro que não se trata de uma discussão sobre “questões técnicas”, mas sim de um debate sobre a proteção da infância em si.

Além disso, ela lembrou que o primeiro passo para estabelecer limites é contar com ferramentas que garantam seu cumprimento no plano técnico e, nesse sentido, destacou o aplicativo desenvolvido pelos técnicos da Comissão Europeia para verificar a idade dos usuários, que está sendo testado em cerca de dez Estados-membros, entre eles a Espanha.

Quanto ao papel das empresas de tecnologia, a presidente da Comissão Europeia revisou as normas já existentes na União — por exemplo, a Lei Europeia de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês) — que já permitiu instaurar processos contra empresas como a ‘X’, a Meta e o TikTok; mas também as alertou de que, se for estabelecido um limite de idade, isso “não isentará as plataformas de suas responsabilidades” pelos conteúdos em suas redes.

“Na Europa, quem desenvolve um produto deve garantir que ele seja utilizado com total segurança”, defendeu a conservadora alemã, que ressaltou que, da mesma forma que um fabricante de automóveis deve garantir a segurança dos veículos que comercializa na União, as empresas de tecnologia devem responder pela segurança de sua oferta.

“Não esperamos que sejam as crianças a pensar em seus próprios cintos de segurança, nem que os pais instalem eles mesmos ‘airbags’ em casa. O mesmo deve acontecer com as redes: os fornecedores de tecnologia são responsáveis pela segurança de seus produtos e pelo uso que lhes é dado”, reforçou.

Os riscos ligados ao avanço da Internet e da Inteligência Artificial (IA) “se multiplicam a toda velocidade”, afirmou Von der Leyen, que destacou que esses “riscos são uma realidade no mundo digital” e alertou que “não são fruto do acaso, mas o resultado de modelos econômicos que tratam a atenção das crianças como uma mercadoria”. “Maior atenção significa maior lucro”, insistiu.

Nesse contexto, Von der Leyen também destacou a importância de melhorar a “educação” no uso das redes sociais e de outras plataformas como uma questão fundamental para a sociedade, por isso pediu que, além da “necessidade de dar mais tempo às crianças para serem resilientes” diante desses riscos, seja abordada a necessidade de que elas possam desenvolver suas próprias capacidades para reagir de forma autônoma, tanto dentro quanto fora da Internet.

“É fundamental que eles entendam a lógica das redes sociais, que aprendam a se proteger dos efeitos prejudiciais ao mesmo tempo em que aproveitam os aspectos positivos”, pediu ela, para depois ressaltar que deve ser uma “missão na qual todos temos um papel a desempenhar”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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