BRUXELAS 15 jun. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu nesta segunda-feira que os argumentos para adiar o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais são “cada vez mais sólidos” devido aos riscos que essas plataformas podem representar durante etapas “fundamentais” de seu desenvolvimento pessoal.
“Os argumentos a favor de adiar o acesso às redes sociais, devido aos riscos existentes, são cada vez mais sólidos”, afirmou a conservadora alemã durante uma coletiva de imprensa antes da cúpula do G7, que será realizada esta semana na cidade francesa de Evian, onde o assunto será discutido.
Suas declarações coincidem com o anúncio do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de proibir o acesso a essas plataformas para menores de 16 anos, devido aos riscos que, em sua opinião, elas representam para a saúde mental, o bem-estar e a segurança de crianças e adolescentes.
Um debate que ganhou força no seio da União Europeia depois que a chefe do Executivo comunitário exigiu, em maio passado, adiar a idade mínima de acesso às redes sociais e criticou o modelo de negócios de algumas grandes empresas de tecnologia, que acusou de tratar a atenção dos menores como uma “mercadoria”.
Conforme adiantou Von der Leyen, a questão será analisada pelo grupo de especialistas criado pela Comissão, que avaliará as possíveis medidas e apresentará suas conclusões antes das férias de verão, com vistas a uma possível proposta legislativa antes do final do ano.
“O debate não é se os jovens devem ter acesso às redes sociais. O debate é se as redes sociais devem ter acesso às nossas crianças e adolescentes, e quando”, afirmou a conservadora alemã, que lembrou que a infância e a adolescência precoce são fases “fundamentais” tanto para o desenvolvimento cerebral quanto para a formação da personalidade.
Embora tenha reconhecido que as tecnologias digitais oferecem “oportunidades extraordinárias”, ela também alertou que elas geraram novos riscos para crianças e adolescentes, razão pela qual considera necessário reforçar as garantias e a responsabilidade das grandes plataformas tecnológicas.
“Também existe uma enorme responsabilidade por parte das empresas tecnológicas. Na Europa, as plataformas devem demonstrar que são seguras desde a sua concepção”, acrescentou.
Além da proteção dos menores, Von der Leyen adiantou que os líderes do G7 também discutirão o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), defendendo uma maior cooperação internacional para avaliar os novos modelos antes de seu lançamento no mercado.
Segundo ela explicou, as principais economias deveriam trocar informações e coordenar o trabalho das entidades independentes encarregadas de examinar esses sistemas, da mesma forma que ocorre em outros setores regulamentados, como a aviação ou os dispositivos médicos.
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