DONGGUAN (CHINA), 31 / (Portaltic/EP)
Mais de 4.500 metros quadrados, um investimento de 200 milhões de yuans (cerca de 25,6 milhões de euros) e mais de 80 tipos de testes para aprimorar os sensores integrados aos dispositivos “wearables” mais avançados da Huawei, com os quais a marca espera posicionar a nova série HUAWEI WATCH GT 7 — que será lançada mundialmente nesta semana — no mais alto patamar da inovação tecnológica.
Viajamos até Dongguan, na China, para conhecer de perto o HUAWEI Health Lab, um dos centros onde a empresa desenvolve e testa suas tecnologias de saúde e esporte, que a ajudaram a se posicionar como líder global em remessas de dispositivos “wearables” de pulso no primeiro trimestre de 2026, atingindo a marca de mais de 200 milhões de dispositivos vendidos acumulados (com uma projeção de 250 milhões até o final deste ano).
Nos arredores de Shenzhen, uma das capitais tecnológicas do mundo e sede da Huawei, fica esse centro, que tem capacidade para realizar mais de 80 tipos diferentes de testes relacionados à pesquisa e ao desenvolvimento de dispositivos “wearables” e que, combinando dados com outros centros que a fabricante possui em Xian (China) ou em Helsinque (Finlândia), desenvolve os sensores mais avançados do setor.
Algumas de suas instalações parecem mais próprias de um centro de pesquisa científica do que de uma empresa de eletrônicos de consumo. O laboratório conta, por exemplo, com 28 câmeras infravermelhas de alta velocidade, capazes de operar com uma frequência máxima de amostragem de 10.000 Hz e registrar movimentos com precisão milimétrica.
Também dispõe de equipamentos para analisar a função cardiopulmonar e o metabolismo durante o exercício, além de esteiras de alto desempenho e sistemas destinados a medir parâmetros como o VO2 máx (a quantidade máxima de oxigênio que seu corpo pode absorver, transportar e consumir por minuto durante um exercício de alta intensidade), o consumo calórico ou a frequência cardíaca.
Um de seus espaços mais impressionantes é uma câmara de simulação de alta montanha na qual a Huawei investiu mais 3 milhões de yuans (cerca de 400.000 euros). Em seu interior, é possível reproduzir condições equivalentes a estar a até 6.000 metros acima do nível do mar, para estudar como o organismo responde a diferentes altitudes e condições ambientais. Da mesma forma, conta com uma pequena piscina, um simulador de golfe, uma quadra de basquete, quadras de badminton, campo de tiro, mesas de pingue-pongue e uma parede de escalada, entre outros esportes.
A quantidade de informações necessárias para desenvolver esses sistemas também é difícil de imaginar. Como exemplo da magnitude dos testes realizados nessas instalações, a Huawei chegou a coletar, em seus primeiros anos de operação, aproximadamente 192.500 quilômetros de dados de corrida nas pistas de atletismo que circundam todo o complexo, o equivalente a dar cerca de quatro voltas e meia ao redor da linha do Equador.
TRUSENSE: DO LABORATÓRIO AO PULSO
Todo esse esforço tem um objetivo muito específico: fazer com que um dispositivo que usamos no pulso seja capaz de interpretar cada vez mais informações sobre nosso organismo enquanto praticamos esportes, dormimos ou vivemos nosso dia a dia. É precisamente aqui que ganha importância o HUAWEI TruSense System, a arquitetura tecnológica de última geração da Huawei para o monitoramento da saúde. O sistema combina sensores físicos, algoritmos próprios e software para realizar um monitoramento contínuo, rápido e multidimensional.
Seu funcionamento vai muito além de simplesmente colocar um sensor óptico sob o relógio. A plataforma óptica incorpora, por exemplo, um vidro de alta opacidade que, segundo os dados fornecidos pela Huawei, melhora a qualidade do sinal em 20 por cento, além de um sistema óptico multirregional que distribui a luz de maneira mais uniforme e uma arquitetura com distâncias variáveis entre os sensores, o que aumenta em 15% o aproveitamento das rotas ópticas.
Uma parte importante do trabalho realizado no laboratório consiste em resolver algo que parece simples até se tentar fazer a medição a partir de um pulso em movimento: separar o sinal de interesse de todo o ruído ao seu redor.
Durante as sessões informativas das quais participamos em Dongguan, os responsáveis da Huawei explicaram que as diferenças entre os usuários são um dos principais desafios desses sistemas. O tom da pele, a profundidade dos vasos sanguíneos, o formato do braço, o fato de o relógio estar mais ou menos apertado ou o próprio movimento durante o exercício podem alterar o sinal recebido pelos sensores.
Para compensar isso, a Huawei combina diferentes fontes de luz, projetos específicos de “hardware” e algoritmos de filtragem capazes de extrair os sinais úteis mesmo quando as condições de medição não são ideais.
MEDIR MAIS, MAS TAMBÉM MEDIR MAIS RÁPIDO
Um dos exemplos que melhor permite observar essa evolução é a medição do oxigênio no sangue. Em 2021, uma medição de SpO2 levava aproximadamente 45 segundos. Nas gerações mais recentes, a Huawei conseguiu reduzir esse processo para um intervalo entre 1 e 10 segundos. Essa evolução tecnológica chega agora a produtos como o HUAWEI WATCH GT Série 7, que incorpora o novo módulo de sensores traseiro e pode realizar uma medição de SpO2 em 10 segundos ou menos.
O relógio também utiliza essa arquitetura para combinar diferentes sinais fisiológicos. Uma das aplicações que a marca está desenvolvendo é o monitoramento do bem-estar emocional, para o qual são analisados em conjunto parâmetros como a variabilidade da frequência cardíaca e os níveis de estresse.
Outro exemplo é o chamado “Check-up de saúde”, disponível em alguns produtos da empresa, que avalia até 23 indicadores em aproximadamente 60 segundos, reutilizando os sinais obtidos pelos diferentes sensores. Também houve trabalho na área do sono, com um sistema que incorpora a chamada “proporção de sono estável” e que, segundo os dados fornecidos pela Huawei, permite aumentar em 32% a precisão geral da análise do descanso.
A estratégia da Huawei consiste em deixar de interpretar cada medição como um dado isolado, recorrendo a um sistema de detecção no qual uma primeira camada de sensores coleta informações e uma segunda camada utiliza modelos multimodais para interpretar dados mais complexos relacionados ao exercício, ao sono ou até mesmo ao bem-estar emocional. O objetivo é analisar de forma conjunta informações relacionadas a seis grandes sistemas fisiológicos: circulatório, respiratório, nervoso, endócrino, reprodutivo e muscular.
OS DADOS, FUNDAMENTAIS PARA O DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO
A outra peça fundamental dessa estratégia são os dados. A Huawei afirma que sua plataforma de pesquisa em saúde trabalha atualmente com mais de 180 instituições, mais de 340 projetos ativos e mais de 18 milhões de usuários participantes de estudos clínicos.
Algumas pesquisas mostram a escala que esses projetos podem atingir. Por exemplo, em colaboração com o Peking Union Medical College Hospital, foram realizados estudos sobre hiperglicemia e ácido úrico, enquanto um projeto relacionado à saúde feminina da Universidade de Fudan conseguiu recrutar digitalmente 70 mil participantes em apenas quatro meses.
Tudo isso está integrado em uma plataforma, a HUAWEI Health, que conta com mais de 1.200 aplicativos e ultrapassa atualmente 570 milhões de usuários, com um pico de mais de 118 milhões de usuários ativos mensais em mais de 50 países. Uma quantidade gigantesca de dados, investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para concentrar todo esse potencial em apenas alguns centímetros quadrados no nosso pulso.
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