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MADRID 13 jun. (EUROPA PRES) -
Pelo menos 2.680 pessoas morreram nos primeiros cinco meses do ano no Haiti, vítimas da violência desencadeada pelas gangues, que nos últimos meses ampliaram seu raio de ação para além da capital, Porto Príncipe, o que também levou a um recorde de 1,3 milhão de pessoas deslocadas internamente.
Isso se reflete em um relatório do Escritório de Direitos Humanos da ONU, no qual ele lista o número de mortes que conseguiu verificar, incluindo pelo menos 54 crianças. Além disso, mais de 950 pessoas foram feridas e 316 casos de sequestro foram registrados, aos quais se deve acrescentar um aumento na violência sexual e no recrutamento de menores por grupos armados.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, advertiu em uma declaração que, "por mais alarmantes que sejam", essa bateria de dados "não pode refletir os horrores que os haitianos são forçados a suportar dia após dia" e que podem ser provenientes não apenas das próprias gangues, mas também de multidões ou grupos de autodefesa que buscam preencher o vácuo das forças de segurança oficiais.
A ONU estima que pelo menos 25 pessoas foram mortas em 20 de maio no departamento de Artibonito depois que indivíduos armados atacaram pessoas acusadas de apoiar as gangues, cortando-as com facões em uma igreja ou em suas próprias casas. Dez dias depois, seis membros da mesma família, quatro deles meninas com idades entre dois e 14 anos, foram mortos por três gangues aliadas em uma casa em Porto Príncipe.
USO EXCESSIVO DA FORÇA
A ONU também questiona o trabalho das forças de segurança, com pelo menos 1.448 pessoas mortas até agora este ano em operações policiais e pelo menos 65 casos de execuções sumárias.
Turk pediu aos oficiais locais que respeitem sempre os princípios de "legalidade, necessidade e proporcionalidade" ao usar a força, lembrando também que aqueles que possam ter cometido abusos devem ser responsabilizados perante a justiça.
"A impunidade das violações dos direitos humanos e da corrupção serve como catalisador para as crises prolongadas e multidimensionais que o país enfrenta", alertou Turk, que espera que as novas instituições judiciais sejam implementadas "o mais rápido possível" para garantir a responsabilização.
Ele também conclamou a comunidade internacional a colaborar nesses meses que ele prevê como "cruciais" para o futuro do Haiti e para a estabilidade de toda a região, e lembrou ao público, sem mencionar nenhum país específico, que atualmente não há condições mínimas no território haitiano que garantam que os migrantes deportados não sejam vítimas de "discriminação" ou "estigmatização".
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