MADRID 27 maio (EUROPA PRESS) -
A subdiretora do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), Eva Villaver, destacou que há “7.000 planetas registrados”, mas não é possível “saber se são adequados para a vida”.
Foi o que afirmou Villaver em uma conferência na Fundação Ramón Areces sob o lema “A Terra, mais um planeta?”, na qual destacou como nessa diversidade planetária “inesperada, muito diferente da do Sistema Solar, há abundância de ‘Super-Terras’ e ‘mini-Netunos’, categorias que os classificam por seu tamanho”.
“Mas não podemos dizer absolutamente nada sobre como é sua estrutura interna, já que não temos análogos no Sistema Solar”, precisou.
A pesquisa sobre a origem da vida, segundo explicou, sugere que os processos químicos que deram origem às primeiras moléculas autorreplicantes “poderiam não ser únicos, mas sim o resultado de condições físico-químicas reproduzíveis em outros ambientes planetários”. “Em suma, somos algo muito simples, somos o que o tempo fez com o hidrogênio”, resumiu.
A pesquisadora destacou a revolução das últimas duas décadas na detecção de exoplanetas e no estudo de luas potencialmente habitáveis.
“Podemos calcular probabilidades de coisas que, até pouco tempo atrás, nem sabíamos se existiam. Somos simplesmente um acaso químico na superfície de um planeta temperado ou somos simplesmente um imperativo cósmico e, dadas as condições, em qualquer lugar do universo pode se formar um planeta como a Terra?”, questionou-se.
Para a especialista, avaliar a frequência de fatores como composição química, presença de água líquida, estabilidade estelar e tempo geológico suficiente redefine não apenas a origem da vida, mas o “lugar no cosmos” dos seres humanos.
“O Big Bang é o momento conceitual em que as leis da física começam a funcionar”, lembrou ela. E se referiu à nucleossíntese primordial de hidrogênio, hélio e traços de lítio que ocorreu três minutos após o início do universo e ao papel da gravidade na formação de galáxias, estrelas e sistemas planetários.
Ele também destacou o potencial de habitabilidade que se depreende da imensidão observada: bilhões de galáxias, cada uma com bilhões de estrelas e centros dominados por buracos negros supermassivos, e a constatação de que muitos sistemas planetários acompanham o nascimento das estrelas, um fato desconhecido há apenas 25 anos.
Villaver dedicou uma parte essencial de sua palestra a explicar a química interestelar e o ciclo de vida estelar, mostrando como o interior das estrelas atua como um reator nuclear que “transforma matéria em energia para conter a gravidade”.
Assim, o meio interestelar se enriquece com elementos como carbono, nitrogênio e oxigênio quando elas expelem suas camadas no final de sua vida na forma de nebulosas planetárias. “Se não fossem as estrelas desse tipo, não teríamos sido capazes de gerar no universo o carbono do qual somos feitos”, afirmou.
“O carbono é produzido pela morte de estrelas de baixa massa, estrelas como o Sol; o oxigênio, o flúor ou o néon são produzidos em explosões de supernova; e elementos como o ouro ou a platina são forjados na fusão de duas estrelas de nêutrons”, detalhou.
Nessa relação entre formação estelar e planetária, a subdiretora do Instituto de Astrofísica das Canárias, com sede em Tenerife, destacou que “a probabilidade de formação de planetas é de pelo menos um para cada estrela que se forma”.
Como explicou, a formação de planetas ocorre em discos protoplanetários, estruturas que se originam pela conservação do momento angular durante o nascimento das estrelas.
“Na parte externa desse disco, fica uma reserva de cometas. Lá há água e elementos voláteis. Na parte interna, não, porque é onde ela evapora. Daí a hipótese reforçada sobre a origem da água terrestre. Acreditamos que a origem da água na Terra tem a ver com os cometas”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático