Publicado 29/06/2026 06:00

Vilamitjana (Cisco) considera a gestão de dados, a autonomia e a livre escolha como pilares da soberania europeia

Andreu Vilamitjana, diretor-geral da Cisco para a Espanha e Portugal.
CISCO

MADRID 29 jun. (Portaltic/EP) -

Os responsáveis por infraestruturas críticas na Europa, tanto do setor público quanto do privado, expressam repetidamente aos seus fornecedores de tecnologia sua preocupação em inovar sem comprometer a segurança nem a confiança, conforme explica Andreu Vilamitjana, diretor-geral da Cisco para a Espanha e Portugal, que aponta a gestão de dados, a autonomia operacional e a livre escolha como “pilares da soberania tecnológica europeia”.

Em um momento em que a adoção da inteligência artificial e de outras tecnologias inovadoras avança a uma velocidade sem precedentes, manter o controle e a autonomia sobre os dados e os sistemas digitais mais sensíveis deixou de ser uma preferência para se tornar um requisito estratégico.

Em declarações à Europa Press, Vilamitjana explica que a verdadeira soberania significa “ter a liberdade de inovar, mas com a autonomia sobre os dados e a infraestrutura tecnológica como premissa fundamental para as empresas e as administrações” e explica que um dos erros mais comuns no debate sobre soberania tecnológica é presumir que todas as organizações precisam da mesma coisa.

A Cisco explica que a realidade é que, mesmo dentro de um mesmo país e setor, as necessidades variam significativamente. Algumas organizações priorizam uma infraestrutura totalmente em instalações próprias e isolada da rede (os chamados ambientes “air-gapped”), enquanto outras apostam na agilidade e na velocidade, recorrendo a serviços em nuvem para inovar com maior rapidez.

“Esse princípio de que não existe um modelo único válido para todos é precisamente o que deve orientar qualquer estratégia séria de soberania para infraestruturas críticas. A flexibilidade de escolha não é um luxo, mas uma condição necessária para que a autonomia estratégica seja real e operacional”, continua o representante da Cisco.

SOBERANIA NÃO SIGNIFICA ISOLAMENTO

Os especialistas alertam que as estratégias mais bem-sucedidas não são aquelas que rejeitam a tecnologia ou a experiência global, mas sim aquelas que as integram com inteligência, respeitando as necessidades locais, os marcos regulatórios nacionais e as expectativas de cada contexto. Por isso, eles pedem que não se confunda soberania com autarquia tecnológica.

A Cisco considera que essa autonomia estratégica se baseia em três pilares. O primeiro é o controle sobre a gestão dos dados: a capacidade de decidir onde eles residem e quem pode acessá-los, reforçada por meio de implantações em instalações próprias ou em ambientes “air-gapped”. O segundo é a autonomia operacional: que os sistemas funcionem sem a necessidade de conectividade à internet nem de intervenção remota, algo fundamental em cenários de crise, conflito ou ataque cibernético.

O terceiro consiste na independência em relação a terceiros: dispor de direitos legais de uso sobre a tecnologia, mesmo em circunstâncias de interrupção extraordinária, de modo que nenhuma decisão alheia — corporativa ou geopolítica — possa deixar a empresa ou o operador de serviços sem seus dados ou infraestrutura.

“A confiança, nesse contexto, é a moeda de troca fundamental, e só se mantém quando os compromissos são respaldados por capacidades operacionais reais: sistemas que funcionam nos ambientes do cliente, dentro das fronteiras nacionais ou regionais e dentro dos marcos legais aplicáveis”, destaca Vilamitjana.

UM PORTFÓLIO PARA INOVAR NA ERA DA IA

Justamente essa premissa de alinhamento com os marcos legais e as regulamentações da UE é uma das chaves que definem o portfólio Sovereign Critical Infrastructure (SCI) da Cisco para clientes na Europa, Oriente Médio e África (EMEA), lançado em abril passado. O SCI atende às prioridades das organizações de inovar rapidamente na era da IA, mantendo, ao mesmo tempo, maior controle e autonomia sobre seus dados e infraestrutura digital.

O portfólio abrange as principais linhas de soluções da Cisco, incluindo redes, segurança, computação, colaboração, gerenciamento de redes, IA e Splunk. Os clientes podem configurá-lo e operá-lo em seus próprios ambientes físicos “isolados” da rede e em suas próprias instalações (on-premise).

“Mas uma infraestrutura soberana não se sustenta apenas com ‘hardware’ e ‘software’: ela também requer suporte técnico especializado que opere sob as mesmas regras de confidencialidade e acesso restrito”, alertam na Cisco, indicando que os Centros Nacionais de Serviços Críticos (CNSC) da empresa já estão em operação em vários países europeus, entre eles Espanha, França, Reino Unido, Alemanha e Itália.

Nesse sentido, Vilamitjana ressalta que “a Espanha e a Europa não devem dedicar recursos para construir sua infraestrutura tecnológica do zero e sozinhas” e conclui que “a verdadeira soberania reside na capacidade de integrar tecnologias de ponta com fornecedores que compartilhem os valores europeus e estejam comprometidos com o desenvolvimento local”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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