MADRID 14 ago. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, realizou um estudo que comprovou que pacientes com câncer de próstata em estágio inicial preferem a vigilância ativa do tumor em vez de serem tratados.
Conforme expuseram os autores deste trabalho, publicado na revista especializada “JAMA”, esse conceito de acompanhamento médico consiste no “monitoramento dos tumores por meio de exames periódicos”. Após apresentar esse contexto, e três décadas depois de esse centro acadêmico ter desempenhado um papel fundamental para que essa vigilância se tornasse o padrão de atendimento para o câncer de próstata de baixo risco nos Estados Unidos, eles chegaram a essa conclusão após analisar pacientes veteranos do próprio centro.
“A grande maioria dos veteranos diagnosticados optou por essa alternativa em vez de receber tratamento”, explicaram, precisando que, em 2024, 93% dos que sofriam de câncer de próstata de baixo risco se submeteram à vigilância ativa, em comparação com 27% em 2005. Por outro lado, entre aqueles com risco intermediário favorável, a taxa aumentou para 61% há dois anos, em comparação com os 14% registrados há 21 anos.
RESULTADOS DE SOBREVIVÊNCIA SEMELHANTES EM AMBAS AS ALTERNATIVAS
Para chegar a esses dados, os cientistas, que contaram com a colaboração de membros do Sistema de Assistência Médica aos Veteranos de São Francisco, acompanharam mais de 73.000 militares aposentados cadastrados nessa região da Administração de Veteranos (VA, na sigla em inglês). Com isso, constataram resultados de sobrevida semelhantes entre a vigilância ativa e o tratamento, com menores riscos de incontinência urinária, problemas intestinais e disfunção erétil no primeiro grupo.
“Os exames de rastreamento do câncer de próstata salvam milhares de vidas ao detectar cânceres agressivos em um estágio inicial, mas também detectam muitos cânceres de crescimento lento que não se disseminam e que não devem ser tratados, exceto em raras ocasiões”, esclareceu o autor principal deste estudo e titular da Cátedra Helen Diller Family do Departamento de Urologia da UCSF, o Dr. Matthew Cooperberg.
De fato, “muitos especialistas recomendam que nem mesmo chamemos essas doenças de ‘cânceres’”, continuou ele, ao mesmo tempo em que destacou que os pacientes com essa doença oncológica em estágio inicial que afirmam preferir o tratamento “podem precisar de melhor orientação”.
Por isso, ganha relevância a chamada vigilância ativa, que inclui exames de sangue para medir o antígeno prostático específico (PSA, na sigla em inglês) — proteína produzida pelo tecido prostático — a cada três a seis meses. Além disso, ela prevê exames retais menos frequentes, ressonância magnética e biópsias; e, caso se detecte que o câncer cresceu, considera-se a cirurgia ou a radioterapia.
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