Publicado 04/06/2026 13:18

VÍDEO: Morre aos 56 anos a ilustradora e diretora franco-iraniana Marjane Satrapi, autora de 'Persépolis'

Archivo - Arquivo - A cartunista e pintora Marjane Satrapi, ganhadora do Prêmio Princesa de Astúrias de Comunicação e Humanidades 2024, discursa durante a cerimônia de entrega dos “Prêmios Princesa de Astúrias 2024” no Teatro Campoamor, em 25 de outubro d
Xuan Cueto - Europa Press - Arquivo

MADRID 4 jun. (EUROPA PRESS TELEVISÃO) -

A roteirista, desenhista de quadrinhos e diretora de cinema franco-iraniana Marjane Satrapi, autora da obra “Persépolis”, faleceu aos 56 anos, conforme confirmado nesta quinta-feira pela Fundação Princesa das Astúrias, que em 2024 lhe concedeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades.

“Faleceu Marjane Satrapi, Prêmio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades 2024”, informou a Fundação Princesa das Astúrias em uma breve mensagem nas redes sociais, minutos depois de a notícia ter sido comunicada pela família da autora à emissora de televisão francesa BFM TV.

A morte de Satrapi ocorreu pouco mais de um ano após o falecimento de seu marido, Mattias Ripa, produtor, ator e roteirista sueco. Ripa foi também o tradutor para o inglês da obra de maior sucesso da autora, a já citada “Persépolis”.

A Norma Editorial, que publicou na Espanha várias obras da desenhista franco-iraniana, afirmou que este é “um dia triste para o mundo dos quadrinhos”. “Ficamos sabendo da terrível notícia do falecimento de Marjane Satrapi. A comprometida autora franco-iraniana que nos legou a extraordinária 'Persépolis'", disse, antes de destacar que "suas histórias falam por ela". "Descanse em paz", acrescentou.

Satrapi nasceu em 22 de novembro de 1969 no seio de uma família progressista na cidade iraniana de Rasht e, após a Revolução Islâmica de 1979, que provocou a queda do regime do xá Mohammad Reza Pahlevi, foi enviada para estudar na capital da Áustria, Viena, a fim de continuar seus estudos. Anos depois, ela voltou ao Irã e matriculou-se no curso de Belas Artes da Universidade de Teerã, onde obteve um mestrado.

No entanto, em 1994, mudou-se para a França para estudar Artes Decorativas na cidade de Estrasburgo, de onde se mudou posteriormente para Paris, onde residia desde então. Foi nesse país europeu que ela ganhou fama com a publicação, entre 2000 e 2003, de “Persépolis”, onde narra sua infância no Irã e sua adolescência na Europa.

A obra foi um sucesso editorial e recebeu inúmeros prêmios, razão pela qual foi adaptada para as telas como filme em 2007, estreando no Festival de Cannes daquele ano. O filme foi coescrito e codirigido por Satrapi e Vincent Paronnaud e foi indicado ao Oscar de 2008 de melhor filme de animação, embora o prêmio tenha ido para “Ratatouille”.

Após a publicação de “Persépolis”, foram lançados “Bordados” e “Frango com Ameixas”, seguidos por “Os Monstros Têm Medo da Lua”, “O Suspiro” e “Mulher, Vida, Liberdade”, que se tornou o último projeto gráfico de Satrapi no âmbito de um volume coletivo em comemoração às manifestações no Irã contra a obrigatoriedade do uso do véu.

A obra “Pollo con ciruelas” também chegou às telonas em 2011 —novamente co-dirigido por Satrapi e Paronnaud—, enquanto a autora dirigiu, um ano depois, “A Turma dos Jotas”, no qual atuou e também desenvolveu o roteiro. Posteriormente, dirigiu “Las Voces”, “Madame Curie” e “Paradis Paris”, esta última estreada em 2024.

Satrapi foi agraciada em 2024 com o Prêmio Princesa de Astúrias de Comunicação e Humanidades, quando o júri reconheceu “sua voz essencial para a defesa dos direitos humanos e da liberdade”. “Satrapi é um símbolo do compromisso cívico liderado pelas mulheres”, indicou o veredicto.

“Por sua ousadia e produção artística, é considerada uma das pessoas mais influentes no diálogo entre culturas e gerações”, destacou, ao mesmo tempo em que destacou o talento de Satrapi “para reinventar as relações entre arte e comunicação, como em sua graphic novel ‘Persépolis’, na qual ela retrata de forma exemplar a busca por um mundo mais justo e inclusivo”.

Por outro lado, a artista recusou-se a aceitar a Legião de Honra da França em janeiro de 2025, citando seus “princípios” e seu “apego” ao seu país natal. "Não posso ignorar o que percebo como uma atitude hipócrita da França em relação ao Irã", afirmou na época, criticando o que considerou uma postura pouco crítica de Paris em relação à repressão no país asiático.

CONDOLÊNCIAS DE MACRON

O presidente da França, Emmanuel Macron, expressou suas condolências pelo falecimento de Satrapi por meio de um comunicado publicado pelo Palácio do Eliseu, no qual destaca que sua morte "representa a perda de uma figura-chave da cultura francesa e de uma artista amante da liberdade, cuja obra transmitia uma mensagem universal e lhe rendeu imenso reconhecimento internacional".

“A artista, autora de quadrinhos e cineasta Marjane Satrapi conquistou o público mundial com ‘Persépolis’”, destacou ele, lembrando que Satrapi foi eleita membro da Academia de Belas Artes e “defendeu a causa do povo iraniano e os direitos das mulheres”. Ela participou do movimento *Mulher, Vida, Liberdade*, para o qual coordenou uma graphic novel em apoio às manifestações no Irã.

“O presidente da República e sua esposa prestam homenagem a uma grande artista que transformou a infância iraniana em uma fábula universal”, afirmou o Palácio do Eliseu, que destacou que tanto Macron quanto sua esposa, Brigitte Macron, “expressam suas mais sinceras condolências à sua família, entes queridos e a todos aqueles que a apreciavam”.

IMAGENS DISPONÍVEIS NA EUROPA PRESS TELEVISÃO

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Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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