Publicado 19/08/2026 07:59

A vice-presidente do CSIC alerta que a geopolítica está “afetando” a ciência e que há projetos “paralisados”

Isabel Díaz destaca a importância da diplomacia científica e do desenvolvimento de uma pesquisa segura

Abertura do encontro “O mundo de amanhã. Geopolítica da incerteza”.
JUAN MANUEL SERRANO ARCE/UIMP

SANTANDER, 19 ago. (EUROPA PRESS) -

A vice-presidente adjunta de Internacionalização e Cooperação do CSIC, Isabel Díaz, destacou a importância da diplomacia científica e do desenvolvimento de uma pesquisa segura, levando em conta que a política e a geopolítica “estão afetando a ciência” e têm “projetos paralisados”.

“A geopolítica nos afeta profundamente”, afirmou a vice-presidente adjunta nesta quarta-feira em Santander, por ocasião de sua participação no encontro ‘O mundo de amanhã. Geopolítica da incerteza’, que ocorre de 19 a 21 de agosto na Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP).

Díaz, que ministrou uma palestra sobre “Diplomacia científica e geopolítica”, destacou que a diplomacia científica é “cada vez mais importante” para o desenvolvimento de uma pesquisa segura e, ao mesmo tempo, para a obtenção de recursos para o financiamento de projetos.

Conforme explicou, o próprio CSIC é um agente da diplomacia científica, o que exige atuar na área de relações exteriores, reforçar a colaboração internacional e desenvolver protocolos de segurança na pesquisa.

O objetivo do CSIC, que conta com uma estratégia de diplomacia científica, é ajudar os pesquisadores a lidar com os riscos para realizar uma pesquisa segura e, ao mesmo tempo, manter uma cooperação internacional ativa.

Além disso, ele indicou que estão ocorrendo eventos no mundo que estão levando a Europa a “levar a sério” um cenário de diplomacia científica, com uma série de recomendações.

Como exemplo, ele destacou que as infraestruturas internacionais são uma ferramenta da diplomacia científica.

Em sua opinião, a diplomacia científica e a segurança no âmbito científico são dois conceitos que se “alimentam mutuamente” na corrida tecnológica, já que a ciência é internacional e os desafios são globais.

“O MUNDO NÃO ESTÁ CLARO”

Durante a inauguração do curso, seu diretor, o pesquisador científico do Instituto de História do CSIC Lorenzo Delgado, destacou a importância da transferência de conhecimento para compreender e debater os pontos-chave de um mundo “cada vez mais complexo”.

Segundo ele, “o mundo não está claro” porque “muitas coisas estão acontecendo” e “não se sabe com certeza o que vai acontecer amanhã”, por isso é “cada vez mais complicado fazer previsões”.

Ele observou que os Estados Unidos “não são mais o que eram e não serão no futuro” e que o mundo está sujeito a diversas “tensões”. Assim, considera importantes cursos como este para fornecer informações e realizar uma análise geopolítica.

“Não se trata apenas de que a mudança climática é uma realidade”, disse ele, mas também de que “o espaço está se transformando” e “a governança mundial já não é a mesma da época da Guerra Fria”.

Dessa forma, ele defendeu a reflexão, a partir de uma perspectiva disciplinar e do diálogo com a cidadania, sobre como a hegemonia global se reconfigurou.

Também participou do encontro o professor titular de Relações Internacionais da Universidade Complutense de Madri, José Antonio Sanahuja, que ministrou a palestra “A governança global tem futuro?”, na qual instou a analisar cada etapa histórica para abordar as crises atuais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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