CA' FOSCARI UNIVERSITY OF VENICE
MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
Vestígios de índigo, um composto de coloração azul de origem vegetal, foram identificados em ferramentas de pedra polida do Paleolítico Superior encontradas no Cáucaso.
Essa molécula é derivada das folhas de Isatis tinctoria L., uma planta da família Brassicaceae nativa dessa região e comumente conhecida como pastel.
Essa é a primeira vez que ela é identificada em artefatos tão antigos. A molécula é formada por uma reação entre o oxigênio atmosférico e os precursores de glicosídeos naturais presentes nas folhas da Isatis tinctoria L., liberados dos vacúolos celulares. Isso mostra que a planta, embora não comestível, foi processada intencionalmente há 34.000 anos.
TINTURA E MEDICAMENTO
Essa descoberta, publicada na revista PLOS One, oferece novos insights sobre a complexidade da interação dos primeiros Homo sapiens com os recursos vegetais, não apenas para alimentação, mas também para usos mais sofisticados, como tintura e medicina.
De fato, a Isatis tinctoria L. tem um longo histórico de uso em tingimento e cura. Em vez de considerar as plantas apenas como recursos alimentares, como costuma acontecer", explica Laura Longo, arqueóloga da Universidade Ca' Foscari, em Veneza, e autora da descoberta, "este estudo destaca seu papel em operações complexas, provavelmente envolvendo a transformação de materiais perecíveis para uso em diferentes fases da vida cotidiana do Homo sapiens há 34.000 anos".
ANÁLISE MICROSCÓPICA
A descoberta foi feita por meio de análise microscópica de ferramentas de pedra antigas, não cortadas e polidas, recuperadas da caverna Dzudzuana, no sopé do Cáucaso, na Geórgia. As ferramentas foram extraídas de uma camada que remonta a cerca de 34.000 anos durante escavações na década de 2000.
A pesquisa inicialmente se concentrou em compreender a função das ferramentas de pedra. Posteriormente, ela revelou traços de processamento mecânico de materiais macios e úmidos, compatíveis com materiais vegetais, como folhas. Estudos posteriores com várias técnicas de microscopia (óptica e confocal) revelaram inesperadamente resíduos azuis, às vezes fibrosos, juntamente com grãos de amido. Esses resíduos estavam concentrados principalmente nas áreas das ferramentas com desgaste visível.
Para determinar a natureza dos resíduos azuis, a equipe empregou técnicas avançadas de microespectroscopia, em especial a espectroscopia Raman e a espectroscopia FTIR. Essas análises confirmaram a presença do cromóforo indigotina em vários resíduos arqueológicos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático