ESO/M. KORNMESSER, L. CALÇADA)
MADRID 2 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de astrônomos encontrou a evidência mais sólida até o momento de que alguns planetas fora do nosso Sistema Solar podem ser magnéticos.
Utilizando o Very Large Telescope do Observatório Europeu Austral (VLT da ESO) e o Telescópio Gemini North, a equipe mediu a velocidade do vento em sete exoplanetas muito quentes e semelhantes a Júpiter.
As observações revelaram que os ventos nesses planetas provavelmente são governados por campos magnéticos, fornecendo a primeira medição robusta do magnetismo em planetas fora do Sistema Solar.
"Este avanço abre uma janela completamente nova para a pesquisa de exoplanetas. É a primeira vez que podemos comparar os ambientes magnéticos de outros mundos — um passo fundamental para compreender, em última instância, quais planetas podem sobreviver, conservar sua água e até mesmo, talvez, algum dia, abrigar vida tal como a conhecemos”, declara Julia Seidel, astrônoma do Laboratório Lagrange (Observatório da Côte d’Azur, França) e autora principal do estudo publicado hoje na Nature Astronomy.
O campo magnético terrestre influencia nossa atmosfera de maneiras complexas, por isso estudá-lo é um fator-chave para entender o que faz com que o planeta se mantenha habitável para a vida.
Os campos magnéticos também estão presentes em outros planetas do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno. No entanto, nos últimos 15 anos, ninguém conseguiu medir diretamente a intensidade dos campos magnéticos dos exoplanetas, até agora.
A equipe não se propôs a medir o campo magnético, mas sim os ventos. Eles mediram a velocidade do vento em sete exoplanetas que orbitam diferentes estrelas: gigantes gasosos como Júpiter, mas cada um deles em sincronia de maré com sua estrela anfitriã e muito próximo dela.
Assim como sempre vemos apenas um lado da Lua, esses planetas mantêm sempre uma face voltada para a estrela, resultando em um lado diurno escaldante e um lado noturno gelado. Essa diferença de temperatura cria um clima completamente diferente do do nosso planeta, com ventos extremamente fortes.
As velocidades do vento em sua amostra variavam entre cerca de 7.200 km/h e mais de 25.000 km/h; em comparação, os ventos mais rápidos medidos em Júpiter atingem velocidades de cerca de 1.500 km/h.
“No início, propusemos verificar se os ventos atmosféricos se comportavam da mesma forma em todos os planetas quentes”, explica Seidel, que anteriormente foi astrônoma da ESO no Chile.
Para suas medições, a equipe utilizou dados do instrumento ESPRESSO instalado no VLT da ESO, no deserto chileno de Atacama, e de um instrumento semelhante instalado no Telescópio Gemini North, no Havaí (EUA).
Ao observarem como as velocidades do vento variavam com a temperatura do planeta, perceberam um padrão muito intrigante: quanto mais quente é o planeta, mais lento é o vento.
“Isso é totalmente contraintuitivo porque, se tudo o mais for igual, os planetas quentes têm mais energia para acelerar os ventos. Deve haver algo que diminua a velocidade do vento nos objetos mais quentes”, diz a coautora do estudo, Vivien Parmentier, professora do Laboratório Lagrange.
A equipe concluiu que a explicação mais consistente para esse mistério é a presença de campos magnéticos em escala planetária, já que esses campos podem atuar como um freio, diminuindo o movimento de partículas carregadas na atmosfera.
Portanto, os dados permitiram inferir a intensidade do campo magnético em cada um dos planetas estudados. Eles descobriram que eram comparáveis em intensidade aos encontrados em nosso Sistema Solar: aproximadamente quatro vezes mais fortes que os de Saturno ou aproximadamente metade da intensidade dos de Júpiter.
Além dos ventos, os campos magnéticos tão fortes desses planetas distantes poderiam influenciar outros aspectos. “Aqui na Terra, conhecemos a beleza das auroras boreais e austrais, onde partículas do Sol colidem com nosso campo magnético e são guiadas para os pólos, colidindo com gases da atmosfera para produzir espetáculos coloridos de verde, rosa e púrpura”, explica a coautora do estudo, Bibiana Prinoth, ex-aluna de doutorado na Universidade de Lund (Suécia) e agora astrônoma da ESO em Garching (Alemanha).
Nos exoplanetas estudados, as auroras impulsionadas magneticamente podem ser ainda mais espetaculares. A equipe aguarda ansiosamente a chegada do ELT (Extremely Large Telescope) da ESO, que ajudará a caracterizar não apenas grandes exoplanetas semelhantes a Júpiter, mas também outros menores, como a Terra, possivelmente detectando até mesmo gases que poderiam produzir auroras nesses mundos distantes.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático