MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores liderada pela Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) revelou que a apitoxina, o veneno das abelhas, poderia ter certas aplicações médicas para doenças nas quais as veias e artérias não funcionam adequadamente.
"A descoberta mostra que o veneno da abelha pode ser tóxico para os vasos sanguíneos, especialmente porque gera estresse oxidativo, mas também abre a porta para possíveis usos terapêuticos em alguns distúrbios vasculares e outras doenças, como o câncer. Nesse caso, ele poderia ajudar a regular o óxido nítrico, que controla como os vasos sanguíneos se abrem e se fecham dentro de alguns tumores, um fator que pode influenciar tanto o crescimento do tumor quanto a resposta aos tratamentos", diz o coordenador da pesquisa Francesc Jiménez Altayó.
Embora a apitoxina possa ser prejudicial às células dos vasos sanguíneos, fazendo com que elas se dilatem menos, mesmo em baixas concentrações, os cientistas identificaram uma via molecular de estresse oxidativo envolvida nesse efeito, o que abre a porta para a exploração do potencial terapêutico desse veneno.
O principal componente da apitoxina é a melitina, que tem um potencial terapêutico "cada vez mais reconhecido", mas cuja aplicação é limitada por questões de segurança.
Durante a pesquisa, publicada na revista Toxicological Science, foi analisado o impacto da apitoxina e da melitina nas células endoteliais humanas, que revestem a parede interna dos vasos sanguíneos e linfáticos, e nas células musculares lisas, bem como na artéria aorta de camundongos.
Foi demonstrado que a melitina representa quase metade do veneno da abelha (43,8%) e que, embora seja o componente mais associado aos efeitos tóxicos, ela não age "exatamente da mesma forma" que o veneno, indicando que outras substâncias na apitoxina também contribuem.
Os cientistas também descobriram que os efeitos negativos do veneno de abelha se devem ao aumento do estresse oxidativo e às alterações no óxido nítrico, destacando seu "papel duplo" para o sistema vascular como substância tóxica, por um lado, e como agente terapêutico "em potencial", por outro.
"No entanto, são necessários mais estudos para confirmar se ela pode realmente ter essas aplicações médicas", concluiu o pesquisador Jiménez Altayó, que coordenou um projeto do qual também participaram pesquisadores da Universidade de Barcelona, da Universidade de Havana (Cuba) e do Centro de Rede de Pesquisa Biomédica em Doenças Cardiovasculares (CIBERCV) e Doenças Neurodegenerativas (CIBERNED) do Instituto Carlos III de Saúde.
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