BRUXELAS, 21 abr. (EUROPA PRESS) -
Vários países da União Europeia se mostraram dispostos nesta terça-feira a aumentar a pressão sobre Israel com a imposição de sanções, tal como um primeiro grupo de três países, entre os quais a Espanha, solicita aos Vinte e Sete; no entanto, por enquanto não contemplam a suspensão total do Acordo de Associação — medida que a Alemanha classificou como “inadequada” —, limitando-se a medidas comerciais.
Especificamente, a França e a Suécia apresentarão na reunião do Conselho de Relações Externas (CRE), que se realiza nesta terça-feira em Luxemburgo, um documento com propostas para que a UE limite o comércio com os assentamentos israelenses na Cisjordânia, embora não tenham avaliado a solicitação da Espanha, Irlanda e Eslovênia de suspender o tratado que concede a Israel o status de parceiro preferencial da UE.
Foi o que anunciou a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, em declarações à imprensa antes de participar da reunião do CAE, nas quais ela garantiu que sua proposta conjunta com a França tem mais chances de ser aprovada do que a da Espanha, que não conta com “apoio suficiente por enquanto”, e que bastaria apenas que a Hungria, com um novo governo recém-formado, retirasse seu veto às sanções contra os colonos.
Seu colega da Holanda, o ministro Tom Berendsen, defendeu que é “importante” aumentar a pressão sobre Israel neste momento, com o objetivo não apenas de “suspender o componente comercial, mas de conseguir uma mudança de comportamento” por parte do país liderado por Benjamin Netanyahu.
O chefe da diplomacia holandesa também opinou que a suspensão do Acordo de Associação com Israel seria uma medida “severa” e que, por enquanto, “não há indícios” de que exista uma maioria suficiente para sua aprovação, mas, de qualquer forma, mostrou-se disposto a sondar a opinião dos Vinte e Sete e se as recentes ações israelenses alteraram alguma posição.
A Bélgica foi o país que foi mais longe entre esses quatro, afirmando que “é evidente” que a UE precisa “endurecer o tom em matéria de sanções”. Defendeu também “pelo menos” a suspensão “parcial” do Acordo de Associação, o que implicaria medidas comerciais e poderia ser aprovado com o apoio de apenas uma maioria qualificada de países.
“Estamos cientes de que a suspensão total provavelmente está fora de alcance, dadas as posições dos diferentes países europeus, mas devemos ser capazes de agir e centrar o debate”, indicou o ministro das Relações Exteriores da Bélgica, Maxime Prévot, em declarações à imprensa.
ALEMANHA CONSIDERA "INADEQUADO"
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, mostrou-se abertamente contrário à suspensão total ou parcial do Acordo de Associação da União Europeia com Israel, qualificando tal medida como "inadequada".
No entanto, mostrou-se disposto a abordar com o governo de Netanyahu “as questões críticas”, como a introdução da pena de morte para palestinos ou a violência dos colonos nos assentamentos israelenses na Cisjordânia, entre outros assuntos.
“Espero que o governo israelense atue de forma mais clara, firme e com todos os meios do Estado de Direito contra essa violência”, indicou, mostrando-se também crítico em relação a qualquer possibilidade de “anexação da Cisjordânia”, já que, em sua opinião, isso minaria a possibilidade de viabilizar a solução de dois Estados.
Sobre o Líbano, o ministro alemão referiu-se ao recente cessar-fogo com Israel e fez um apelo para aproveitar “a disposição para o diálogo” para que ocorram conversas entre ambas as partes, “algo que não acontecia há 50 anos”. “É um sinal de esperança cautelosa”, acrescentou.
ESPANHA, IRLANDA E ESLOVÉNIA PEDEM A SUSPENSÃO
A Espanha, juntamente com a Irlanda e a Eslovénia, levou à reunião o debate sobre a revisão das relações com Israel devido à violação dos direitos humanos em Gaza, mas também no Líbano e na Cisjordânia, com o foco na rescisão do Acordo de Associação.
O ministro das Relações Exteriores, União Europeia e Cooperação, José Manuel Albares, exigiu nesta terça-feira de seus parceiros europeus firmeza diante de Israel e alertou que o bloco europeu “coloca em jogo sua credibilidade” se não se opuser com “a mesma voz, os mesmos princípios e objetivos” à violência no Oriente Médio, assim como faz diante de outras crises, como a invasão russa da Ucrânia.
O governo defende a rescisão total do acordo — o que exigiria unanimidade dos 27 —, mas Albares afirmou que estão dispostos a considerar outras medidas que outros Estados-membros coloquem em discussão e, a esse respeito, lembrou que, para dar o passo da suspensão parcial do acordo, ou seja, afetar apenas o pilar comercial, “basta a maioria qualificada” dos parceiros.
No entanto, Albares defendeu que, desde que os 27 analisaram essa possibilidade — há já seis meses, também a pedido da Espanha e de outros países —, a situação no Oriente Médio piorou a tal ponto que o que está acontecendo no Líbano ou na Cisjordânia é “insuportável”.
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