O júri destaca a descoberta de Klenerman, Balasubramanian e Mayer, um método automático que permite sequenciar o genoma humano em 24 horas
OVIEDO, 13 maio (EUROPA PRESS) -
A pesquisadora e professora de Química María Vallet destacou nesta quarta-feira a democratização do sequenciamento genético que representa o trabalho dos químicos britânicos David Klenerman e Shankar Balasubramanian e do biofísico francês Pascal Mayer. Os pesquisadores, agraciados com o Prêmio Princesa das Astúrias de Pesquisa Científica e Técnica 2026, desenvolveram um método “rápido, barato e eficaz” que permite avanços na medicina personalizada.
Vallet é membro do júri que concedeu o prêmio a Klenerman, Balasubramanian e Mayer, que, por meio de seu trabalho, “democratizaram um método que será útil para toda a sociedade” devido à sua rapidez, preço e aplicações. A pesquisadora explicou que, antes desses avanços, a sequenciamento do DNA “custava muito dinheiro” e os resultados demoravam, no mínimo, um mês. "Agora é feito em um dia e é perfeitamente preciso", avaliou ela, explicando que o custo também foi reduzido para cerca de mil euros, em comparação com os "milhares e milhares e milhares" de euros que custava antes.
Vallet considera que esse método pode contribuir muito para o futuro da medicina personalizada, além de ser útil em muitos campos da biologia ou da ecologia. “Quando algo começa, é sempre caro e sempre um problema, mas, neste caso, já se democratizou, já se tornou um método muito barato, muito rápido e muito eficaz”, destacou.
UMA REVOLUÇÃO NA SEQUENCIAMENTO DO DNA
O divulgador científico Alberto Aparici explicou que, até a chegada dessa tecnologia, sequenciar um genoma ou “ler as diversas letras que existem no DNA” levava muito tempo, por ser um processo “quase artesanal”.
Segundo explicou o divulgador, os premiados “desenvolveram um método que permitia fazer isso de forma automática e em muito menos tempo”, por meio de um método que “divide o DNA em pedaços, coloca-o dentro da máquina e, por meio da luz, consegue ler cada uma das letras que estão lá”, graças ao fato de que cada uma das quatro substâncias que compõem o DNA, as letras ATGC, tem uma cor diferente. “Ele ilumina e, se brilha em amarelo, é uma; se brilha em verde, é outra; se brilha em azul, é outra”, explicou ele, em um processo no qual “tudo é automatizado”.
Essa descoberta contribuiu, segundo ele, para que a vacina contra o vírus da Covid-19 pudesse ser desenvolvida em “tempo recorde”, já que se conseguiu decifrar o genoma do vírus em muito pouco tempo.
Ele foi sequenciado muito rapidamente na China, isso foi divulgado e as pessoas puderam trabalhar com esses dados. Então, se surgirem outros vírus, digamos, o antivírus — Deus nos livre que isso aconteça —, mas, se for algum outro vírus, já temos um bom caminho percorrido. Certamente, mas não apenas para isso, também para estudos em populações de animais.
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