MADRID 13 abr. (EUROPA PRESS) -
O uso prolongado de corticosteroides, doenças inflamatórias crônicas ou a existência de fraturas anteriores são "fatores determinantes" no desenvolvimento da osteoporose, segundo a reumatologista do Hospital Universitário de La Plana (Castellón), Montserrat Robustillo.
Essa doença, tradicionalmente associada a pessoas com mais de 65 anos, está sendo abordada de “forma cada vez mais precoce” graças aos avanços na identificação de fatores de risco e a uma maior conscientização clínica. Embora não esteja ocorrendo um aumento “significativo” de casos em pessoas jovens, está melhorando sua detecção em pacientes mais jovens com fatores de risco.
“Mais do que surgir mais cedo, a osteoporose está sendo melhor detectada naqueles que precisam. Uma pessoa que já sofreu uma fratura por fragilidade é considerada de alto ou muito alto risco osteoporótico”, detalhou a especialista.
A reumatologista, que participou do XXV Curso da Sociedade Espanhola de Reumatologia (SER) para Tutores e Residentes, realizado em Alicante nos dias 10 e 11 de abril com a colaboração da empresa biofarmacêutica UCB e da biotecnológica Amgen, destacou que, nos últimos anos, houve uma mudança significativa no diagnóstico da osteoporose, “passando de uma abordagem reativa para uma claramente preventiva”.
Antes, costumava-se esperar que ocorresse uma fratura, mas os especialistas, agora, tentam “antecipar-se”, prestando atenção aos fatores de risco para osteoporose. Graças às diretrizes atuais, os profissionais combinam fatores clínicos com ferramentas como a densitometria óssea para identificar o risco de forma precoce.
Quando existem fatores de risco associados à osteoporose, é recomendável realizar uma densitometria. Robustillo destacou que a idade não é o “único critério determinante” e que é preciso “individualizar” cada caso.
Mesmo assim, a estratificação do risco de osteoporose baseia-se em uma abordagem “integral” que vai além de um único exame. “Não nos baseamos em uma única ferramenta. Integramos os fatores clínicos do paciente, utilizamos ferramentas como a calculadora FRAX e recorremos a exames de imagem como a densitometria óssea. Além disso, leva-se em conta se já houve uma fratura prévia”, afirmou.
Por meio dessa abordagem, é possível classificar os pacientes em diferentes níveis de risco — moderado, alto ou muito alto — e adaptar as estratégias terapêuticas, com o objetivo de “prevenir fraturas e controlar melhor” uma doença que continua sendo “uma das principais causas de incapacidade na população idosa”.
INTERVENIR DE FORMA MAIS RÁPIDA E EFICAZ
A especialista, ao abordar os avanços no tratamento dessa condição nos últimos anos, destacou especialmente a melhor identificação do risco além da densitometria, a melhoria no atendimento a pacientes com fraturas prévias graças às unidades de coordenação de fraturas (FLS), que permitem intervir de forma mais rápida e eficaz, e a disponibilidade de tratamentos mais eficazes, juntamente com estratégias cada vez mais personalizadas.
Durante este curso, foi enfatizada a evolução na formação dos residentes. A reumatologista do Hospital Universitário da Santa Creu i Sant Pau (Barcelona), Ana Laiz, assinalou que este progresso está “diretamente relacionado” com a contínua expansão da especialidade, impulsionada pelo desenvolvimento de novos exames complementares, pela atualização constante decorrente do surgimento de novos medicamentos e pela incorporação de técnicas inovadoras.
Laiz, por sua vez, indicou que as novas aplicações da inteligência artificial, tanto atuais quanto futuras, geram incerteza na sociedade e têm um “impacto na prática clínica e nos processos de formação”.
Por isso, a reumatologista do Complexo Assistencial Universitário de León, Clara Moriano Moriano, acrescentou que os especialistas “devem se formar em uma especialidade ampla e complexa” e que precisam se manter em constante atualização devido à rápida evolução do conhecimento científico e das terapias.
Por outro lado, ambas as especialistas destacaram a mudança no papel do tutor em um contexto marcado pela renovação geracional e pela diversidade de objetivos e valores entre os residentes.
“Atualmente, o tutor atua como mentor, guia profissional e apoio emocional do residente. Ele também deve fomentar o pensamento crítico, a pesquisa e o desenvolvimento de competências transversais”, concluiu Moriano.
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