ÓPTICA & AUDIOLOGÍA UNIVERSITARIA - Arquivo
MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -
Adultos com epilepsia e perda auditiva que utilizam aparelhos auditivos podem ter um risco 23% menor de desenvolver demência do que aqueles que não os utilizam, de acordo com um novo estudo apresentado no Congresso da Academia Europeia de Neurologia (EAN).
Pesquisadores do Hospital Universitário de Zurique (Suíça) e da Universidade de Liverpool (Reino Unido) analisaram os prontuários eletrônicos de mais de 250 milhões de pacientes da rede TriNetX. Eles compararam adultos com perda auditiva que usavam aparelhos auditivos com adultos com características semelhantes que não os usavam.
A análise incluiu a população em geral com perda auditiva, bem como pessoas com epilepsia, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2, doença renal crônica, insuficiência cardíaca, enxaqueca e osteoartrite.
Não foi encontrada nenhuma associação significativa entre o uso de aparelhos auditivos e o risco de demência na população em geral com perda auditiva, nem entre pessoas com acidente vascular cerebral, enxaqueca, diabetes tipo 2, doença renal crônica, insuficiência cardíaca e osteoartrite.
No entanto, entre os adultos com epilepsia e perda auditiva, o uso de aparelhos auditivos foi associado a um risco de demência 23% menor. Isso correspondeu a uma redução do risco absoluto de 2,7 pontos percentuais em cinco anos, o que equivale a um caso a menos de demência para cada 37 pessoas que usam aparelhos auditivos.
DIFERENÇAS NA RESERVA COGNITIVA
Os pesquisadores acreditam que essas descobertas possam ser explicadas por diferenças na reserva cognitiva: a capacidade do cérebro de continuar funcionando de maneira eficaz, apesar das mudanças relacionadas à idade ou dos danos causados por uma doença.
“A maioria das pessoas com perda auditiva possui reserva cognitiva suficiente para absorver o esforço adicional que a deficiência auditiva representa; portanto, corrigi-la pode não ter um grande impacto no risco de demência. A epilepsia é diferente porque a reserva cognitiva geralmente já está reduzida, o que significa que eliminar uma fonte adicional de estresse poderia ter um impacto maior”, explicou a autora principal do estudo, Carolina Ferreira-Atuesta.
“Existem várias razões biologicamente plausíveis pelas quais poderíamos observar esse efeito na epilepsia. Essa condição está associada a um declínio cognitivo acelerado; a epilepsia do lobo temporal afeta áreas do cérebro relacionadas à audição e alguns medicamentos anticonvulsivantes podem piorar a audição”, acrescentou Ferreira-Atuesta.
Segundo os pesquisadores, essas descobertas têm implicações importantes para a prática clínica. Para os autores do estudo, como as pessoas com epilepsia já estão em contato regular com os serviços de saúde, as avaliações auditivas poderiam ser facilmente incorporadas aos cuidados de rotina.
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