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MADRID 10 jun. (EUROPA PRESS) -
Os homens com mais de 50 anos devem consultar um urologista ou um especialista da Atenção Primária para verificar o estado da próstata e descartar esse tipo de câncer, segundo o especialista do Serviço de Urologia do Complexo Hospitalar Universitário de Santiago de Compostela, Daniel Pérez, que participou da apresentação da campanha “Que no te pille fuera de juego” (Que não te pegue fora de jogo), organizada pela Fundação Real Madrid e pela Johnson & Johnson.
“É fundamental que o homem esteja ciente e compreenda que, por volta dos 50 anos, deve consultar seu médico de Atenção Primária ou o urologista, que geralmente é a porta de entrada para o diagnóstico”, enfatizou Pérez.
No âmbito do Dia Mundial do Câncer de Próstata, comemorado em 11 de junho, o diretor médico da Johnson & Johnson Innovative Medicine, Jacobo Muñoz, afirmou que o câncer de próstata é um “desafio de saúde pública”, já que é o tumor com maior prevalência no paciente do sexo masculino; por isso, é muito importante agir preventivamente e conscientizar toda a sociedade.
Esta campanha, que conta com a colaboração do GEPAC (Grupo Espanhol de Pacientes com Câncer) e da ANCAP (Associação Nacional de Câncer de Próstata), também se concentra em homens com menos de 50 anos com histórico familiar ou outros fatores de risco, que, nesse caso, devem procurar atendimento médico a partir dos 45 anos.
“A detecção precoce pode mudar o curso do câncer de próstata e melhorar significativamente as opções de tratamento. É fundamental acompanhar os pacientes com informações rigorosas, acesso à inovação e um ambiente de profissionais de saúde que lhes permita tomar decisões informadas”, declarou Muñoz.
Por sua vez, o ex-jogador de basquete e embaixador da Fundação Real Madrid, Felipe Reyes, lembrou que se informar e agir a tempo pode fazer “uma grande diferença na vida de muitas pessoas”.
“No esporte, aprendi que antecipar-se é fundamental, e na saúde acontece o mesmo. Não se deve esperar ter sintomas para agir. Fazer exames é uma forma de cuidar de si mesmo e de quem te ama. Não se trata de ganhar um jogo, trata-se de chegar a tempo", afirmou.
35.000 CASOS EM 2026 NA ESPANHA
Por sua vez, Daniel Pérez alertou que, neste ano de 2026, cerca de 35.000 homens receberão um diagnóstico de câncer de próstata, embora nem todos “tenham um diagnóstico grave”.
“A maioria deles, graças ao fato de os pacientes procurarem seu urologista ou o especialista da Atenção Primária para iniciar o diagnóstico precoce do câncer de próstata, será diagnosticada com a doença localizada dentro da glândula prostática, e nesse caso as chances de cura são muito altas”, explicou.
Mesmo assim, cerca de 5% a 10% dos pacientes chegam tarde, apresentando uma doença que já ultrapassou a glândula prostática e com metástases nos gânglios, nos ossos ou em outras localizações. Nesses casos, as inovações farmacológicas permitem controlar a doença, mas a cura dessas pessoas torna-se impossível.
Inicialmente, o câncer de próstata não apresenta nenhum sintoma visível, e se se esperar até o aparecimento de sintomas como sangue na urina, desconforto ao urinar ou perda de peso, essas pessoas estariam “perdendo a oportunidade de cura”.
A inovação terapêutica no tratamento dessa doença permite que os tratamentos sejam mais precisos, com abordagens focais e validadas, e, graças a ela, é possível curar uma porcentagem muito alta de pacientes com pouquíssimas sequelas na doença localizada.
Nos estágios iniciais da doença, quando o câncer está localizado, as chances de sobrevivência em cinco anos são de 96,8% e se mantêm em 95% ao longo dos 10 a 15 anos seguintes.
Para o especialista, o principal desafio dessa doença é a conscientização, já que os homens continuam relutantes em procurar atendimento médico, por medo, por tabu e por questões culturais.
DIAGNÓSTICO MOLECULAR
Por outro lado, a oncologista radioterapeuta do HM Hospitales e presidente eleita da Sociedade Europeia de Radioterapia e Oncologia (ESTRO), Carmen Rubio, destacou que o diagnóstico molecular é outro dos “aspectos-chave” que podem transformar a abordagem do câncer de próstata, uma vez que permite encontrar o tratamento mais adequado de acordo com as características do paciente e do tumor e continuar avançando rumo à implantação da medicina personalizada.
“Identificar alterações genéticas específicas não só ajuda a selecionar terapias direcionadas mais eficazes, mas também a prever a evolução da doença, facilitar o acesso a ensaios clínicos e detectar casos com predisposição hereditária, beneficiando tanto o paciente quanto seus familiares”, explicou ela.
Nesse sentido, o principal desafio é garantir que todos os pacientes tenham acesso equitativo ao diagnóstico molecular, independentemente do hospital ou da região em que sejam atendidos; para que a inovação “chegue a todos os pacientes no momento certo e com as mesmas oportunidades”.
A oncologista do Hospital Ramón y Cajal de Madri, Teresa Alonso, comentou que cada vez existem mais opções terapêuticas, o que está permitindo avançar de um modelo uniforme, em que praticamente todos os pacientes recebiam tratamentos semelhantes, para uma medicina de precisão que busca selecionar para cada pessoa a opção “com o melhor equilíbrio possível entre eficácia, tolerabilidade e qualidade de vida”.
“Hoje temos uma compreensão muito mais profunda da doença e isso nos permite personalizar as decisões terapêuticas com base nas características moleculares e biológicas do tumor, bem como em fatores do próprio paciente, como comorbidades, tratamentos concomitantes, situação funcional ou até mesmo suas próprias preferências”, acrescentou.
Por sua vez, o gerente do Grupo Espanhol de Pacientes com Câncer (GEPAC), Marcos Martínez, destacou a importância de conscientizar o resto da sociedade sobre essa doença e de cuidar da saúde masculina.
"Participar dessas iniciativas nos permite, por um lado, dar visibilidade ao câncer de próstata e, por outro, destacar a importância de não adiar as consultas com os profissionais, especialmente quando há sintomas", acrescentou.
Além disso, defendeu que o paciente seja participante no tratamento que lhe cabe, para que possa estar ciente das decisões tomadas em relação à sua doença.
ESTIGMA E PRIMEIRO DIAGNÓSTICO
Por fim, o responsável pelas relações com os pacientes da Associação Nacional de Câncer de Próstata (ANCAP), Juan Pedro de la Morena, observou que o estigma da disfunção erétil ou da incontinência urinária "pesa muito na hora de o paciente enfrentar esse primeiro diagnóstico".
Além disso, ele destacou que a detecção precoce permite uma melhor qualidade de vida e alertou que muitos casos são diagnosticados por volta dos 60 anos, por isso recomendou que todos os homens procurem atendimento a partir dos 50 anos.
O tratamento multidisciplinar desse tumor, segundo de la Morena, deve incluir, entre outros, o trabalho do psico-oncologista (para lidar com o diagnóstico) e o trabalho de um fisioterapeuta (no caso de incontinência).
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