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MADRID 26 jun. (EUROPA PRESS) -
O cirurgião urologista especialista em cirurgia reconstrutiva do pênis, doença de Peyronie e medicina sexual, o Dr. François Peinado, destacou, por ocasião da realização, nestas semanas, da Copa do Mundo de futebol, que a influência do sexo antes de uma competição esportiva profissional tem “um papel secundário”.
“Várias análises recentes sugerem que a abstinência sexual antes da competição pode não ter um efeito significativo sobre o desempenho esportivo”, afirmou, ao mesmo tempo em que explicou que “em alguns casos, pode ser irrelevante ou até mesmo contraproducente se gerar ansiedade, perturbar o descanso ou alterar negativamente a rotina do atleta”.
Nesse sentido, Peinado declarou que “na preparação esportiva, fatores como a qualidade do sono, a nutrição e a hidratação, a carga de treinamento e a recuperação, o nível de estresse, o estado psicológico e a concentração têm uma influência muito mais determinante”. “Em comparação com esses elementos”, a atividade sexual desempenha o referido “papel secundário” na “maioria dos atletas”, ressaltou.
ESTUDOS SOBRE O ASSUNTO
“Uma revisão sistemática publicada na revista ‘Frontiers in Physiology’, em 2016, analisou as evidências disponíveis e concluiu que manter relações sexuais no dia anterior a uma competição não parece ter um impacto negativo relevante sobre o desempenho”, continuou ele, acrescentando que, “no entanto, os autores também apontaram uma limitação importante: a qualidade metodológica de muitos estudos é baixa e são necessárias pesquisas melhor elaboradas”.
Além disso, ele citou também “uma revisão sistemática com metanálise publicada na revista ‘Scientific Reports’, em 2022, que apresentou dados mais consistentes”. “Ao agrupar os estudos disponíveis, os autores observaram que a atividade sexual realizada entre 30 minutos e 24 horas antes do exercício não alterou significativamente a capacidade aeróbica, não afetou de maneira relevante a resistência muscular e não produziu mudanças mensuráveis na força ou na potência”, afirmou ele, ressaltando que “o efeito global foi considerado neutro”.
“Também existem estudos experimentais que apontam na mesma direção”, continuou Peinado, acrescentando que “um trabalho publicado em 2019 avaliou homens jovens e não encontrou alterações em seis testes de desempenho físico quando a atividade sexual ocorria nas 24 horas anteriores”. “Mais recentemente, o estudo de Fernández-Lázaro e colegas, publicado na revista ‘Physiology & Behavior’, em 2026, avaliou 21 atletas do sexo masculino treinados em um desenho cruzado randomizado e comparou a masturbação com orgasmo 30 minutos antes do exercício com a abstinência”, destacou.
A esse respeito, ele informou que “os resultados mostraram que, longe de piorar o desempenho, o estado pós-orgástico foi associado a um leve aumento na duração do exercício, uma pequena melhora na força de preensão e à ausência de alterações prejudiciais nos marcadores inflamatórios ou de dano muscular”. “Os autores interpretaram esses achados como uma ativação hormonal e simpática transitória, sem deterioração do desempenho”, afirmou.
De qualquer forma, ele considera que “é importante não substituir um mito por outro”. “As evidências atuais também não permitem afirmar que a atividade sexual seja uma ferramenta para melhorar o desempenho esportivo”, insistiu, acrescentando que “os estudos disponíveis apresentam limitações relevantes”, como “amostras pequenas, participantes jovens e muito treinados, condições experimentais muito específicas, avaliação de formas concretas de atividade sexual, avaliação de esportes ou contextos esportivos específicos e resultados modestos e de curta duração”.
Peinado, que destacou que “há outro aspecto mais relevante do que o desempenho ‘puro’”, que é “a psicologia do atleta”, apresentou “um estudo de 2023 com atletas ‘amadores’ que mostrou que o tema continua gerando preocupação e crenças arraigadas, com uma parcela significativa dos atletas acreditando que a atividade sexual pode afetá-los antes das competições”. “Isso pode se traduzir em efeitos psicológicos reais”, observou ele.
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