EGOITZ BENGOETXEA IGUARAN/ISTOCK - Arquivo
MADRID 7 ago. (EUROPA PRESS) -
A União das Associações Familiares (UNAF) alertou que existe “um risco maior de transtornos do comportamento alimentar (TCA) em crianças e adolescentes no verão”, já que “a pressão sobre a imagem corporal se intensifica durante as férias, afetando o bem-estar emocional”.
“A adolescência e a juventude são fases em que a construção da identidade, a imagem corporal e a aceitação social adquirem grande importância”, indicou a organização, acrescentando que, nessa época do ano, “convergem circunstâncias que podem aumentar o mal-estar relacionado à aparência física e favorecer o surgimento ou o agravamento de comportamentos de risco”.
Tudo isso em um contexto em que esses problemas de saúde mental surgem cada vez mais cedo e no qual estima-se que, na Espanha, cerca de 400 mil pessoas vivam com um transtorno alimentar, das quais 300 mil têm entre 12 e 24 anos, de acordo com a Fundação FITA e a Associação Espanhola para o Estudo dos Transtornos da Conduta Alimentar (AEETCA).
Além disso, a UNAF destacou que, durante as férias, costuma aumentar o tempo de exposição às redes sociais, onde proliferam conteúdos centrados em padrões estéticos difíceis de alcançar, dietas, exercícios físicos ou corpos idealizados. A isso soma-se uma maior presença de fotografias, publicações e situações sociais nas quais a aparência física ganha destaque especial, favorecendo a comparação constante com outras pessoas.
Diante disso e de suas consequências, foram apontados uma série de sinais de alerta, como evitar atividades sociais relacionadas ao banho ou à piscina, demonstrar preocupação excessiva com a aparência física, fazer comentários frequentes e negativos sobre o próprio corpo, restringir certos alimentos sem motivo médico, isolar-se progressivamente e apresentar mudanças bruscas no humor.
OUVIR SEM JULGAR
“É importante que as famílias compreendam que, por trás desses comportamentos, pode haver um grande mal-estar emocional”, continuou ela, acrescentando que “ouvir sem julgar, promover uma comunicação aberta e evitar comentários sobre peso, corpo ou alimentação são ferramentas fundamentais para impedir que esse sofrimento se agrave”.
No entanto, a UNAF ressaltou que a prevenção dos TCA não pode recair exclusivamente sobre as famílias. “É necessário impulsionar políticas públicas que promovam o bem-estar emocional da infância e da adolescência, estimulem uma alfabetização digital crítica diante das mensagens sobre a imagem corporal e garantam recursos especializados de atendimento precoce e apoio psicológico”, declarou.
Por fim, e após destacar que são necessárias campanhas de conscientização que promovam uma imagem corporal diversificada e saudável e contribuam para reduzir a pressão estética que crianças e adolescentes enfrentam, a organização afirmou que o objetivo é que eles “possam desenvolver uma relação saudável com seu corpo, sua alimentação e sua autoestima, livres de pressões estéticas e estereótipos que comprometam seu bem-estar”. Para isso, conta com o programa “Corpos que importam”, voltado especialmente para a faixa etária entre 8 e 16 anos, bem como para suas famílias.
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