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MADRID 28 abr. (EUROPA PRESS) -
Uma nuvem com potencial de formação de estrelas tornou-se visível no céu e é uma das mais próximas do Sol e da Terra já detectadas.
A enorme bola de hidrogênio, há muito tempo invisível para os cientistas, foi revelada pela busca de seu principal componente: o hidrogênio molecular. Essa descoberta marca a primeira vez que uma nuvem molecular foi detectada com luz emitida no ultravioleta distante do espectro eletromagnético e abre a porta para futuras explorações usando essa abordagem.
Os cientistas batizaram a nuvem molecular de hidrogênio de "Eos", em homenagem à deusa mitológica grega, a personificação do amanhecer. Sua descoberta é descrita em um estudo publicado na Nature Astronomy.
"Isso abre novas possibilidades para o estudo do universo molecular", disse em um comunicado Blakesley Burkhart, professor associado do Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Artes e Ciências da Rutgers, que liderou a equipe e é um dos autores do estudo. Burkhart também é cientista pesquisador do Center for Computational Astrophysics do Flatiron Institute em Nova York.
As nuvens moleculares são compostas de gás e poeira, sendo que a molécula mais comum é o hidrogênio, o bloco de construção fundamental de estrelas e planetas, essencial para a vida. Elas também contêm outras moléculas, como o monóxido de carbono. As nuvens moleculares são frequentemente detectadas por métodos convencionais, como observações de rádio e infravermelho, que captam facilmente a assinatura química do monóxido de carbono.
SEM PERIGO PARA A TERRA
Para esse trabalho, os cientistas usaram uma abordagem diferente.
"Essa é a primeira nuvem molecular descoberta por observação direta da emissão de hidrogênio molecular no ultravioleta distante", disse Burkhart. "Os dados mostraram moléculas de hidrogênio brilhantes detectadas por fluorescência no ultravioleta distante. Essa nuvem literalmente brilha no escuro.
A Eos não representa perigo para a Terra ou para o sistema solar. Devido à sua proximidade, a nuvem de gás oferece uma oportunidade única de estudar as propriedades de uma estrutura dentro do meio interestelar, disseram os cientistas.
O meio interestelar, composto de gás e poeira que preenche o espaço entre as estrelas em uma galáxia, serve como matéria-prima para a formação de novas estrelas.
"Quando olhamos através de nossos telescópios, vemos sistemas solares inteiros se formando, mas não sabemos em detalhes como isso acontece", disse Burkhart. "Nossa descoberta do Eos é empolgante porque agora podemos medir diretamente como as nuvens moleculares se formam e se dissociam, e como uma galáxia começa a transformar o gás e a poeira interestelar em estrelas e planetas.
EM FORMA DE LUA CRESCENTE E A 300 ANOS-LUZ DE DISTÂNCIA
Essa nuvem de gás em forma de lua crescente está a cerca de 300 anos-luz da Terra. Ela se encontra na borda da Bolha Local, uma grande cavidade espacial cheia de gás que abrange o sistema solar. Os cientistas estimam que Eos tem uma vasta projeção no céu, com cerca de 40 luas de diâmetro e uma massa cerca de 3.400 vezes maior que a do Sol. A equipe usou modelos para mostrar que se espera que ele evapore em 6 milhões de anos.
"O uso da técnica de emissão de fluorescência no ultravioleta distante pode redefinir nossa compreensão do meio interestelar, revelando nuvens ocultas em toda a galáxia e até mesmo nos limites mais distantes detectáveis da aurora cósmica", disse Thavisha Dharmawardena, bolsista do Hubble da NASA na Universidade de Nova York e primeira autora compartilhada do estudo.
A equipe descobriu o Eos a partir de dados coletados por um espectrógrafo de ultravioleta distante chamado FIMS-SPEAR (sigla para espectrógrafo de imagem de fluorescência), que operava como um instrumento no satélite coreano STSAT-1.
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