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MADRID 6 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares Carlos III (CNIC), do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e do Instituto de Pesquisa em Saúde Fundação Jiménez Díaz (IIS-FJD), conseguiu detectar pela primeira vez em camundongos vivos o acúmulo de microtrombos no cérebro de um modelo de Alzheimer por meio de técnicas de neuroimagem não invasivas.
Estima-se que mais da metade dos pacientes com Alzheimer apresente microtrombos no cérebro como resultado de um estado pró-coagulante subjacente. Esses microtrombos afetam diretamente o fluxo sanguíneo cerebral e promovem o avanço da doença. E, embora existam tratamentos anticoagulantes capazes de retardar sua progressão, esses microtrombos permanecem indetectáveis até a avaliação do tecido cerebral “post mortem”, o que impede a identificação oportuna dos pacientes que poderiam se beneficiar dessa oportunidade terapêutica.
Essa nova ferramenta, detalhada em um estudo publicado na revista “Alzheimer’s & Dementia”, abre caminho para identificar os pacientes que seriam candidatos ao tratamento com terapia anticoagulante já disponível na prática clínica, o que oferece uma nova estratégia terapêutica diante de uma doença ainda sem cura.
Em colaboração com outras instituições, como o Instituto de Pesquisa em Saúde Gregorio Marañón, a Universidade Complutense de Madri e o Centro de Pesquisas Energéticas e Ambientais, essa equipe conseguiu detectar de forma não invasiva a presença do estado pró-coagulante em camundongos de um modelo de Alzheimer.
A equipe liderada por Marta Cortés Canteli, cientista titular do Centro de Neurociência Cajal (CNC-CSIC) e colaboradora científica do CNIC, utilizou a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET), uma técnica de imagem médica amplamente utilizada na prática clínica.
UMA ESTRATÉGIA DIAGNÓSTICA COM GRANDE POTENCIAL
A PET utiliza sondas radioativas capazes de se ligar especificamente a moléculas-alvo no organismo e, nesta pesquisa em particular, foram utilizadas sondas que se ligam à fibrina (proteína essencial na coagulação sanguínea) e às plaquetas, principais componentes dos microtrombos, o que permitiu avaliar seu acúmulo no cérebro do animal vivo: quanto maior a presença de microtrombos no cérebro, maior o sinal detectado pelo tomógrafo.
Uma das principais inovações do estudo é a incorporação da química “Click” ao projeto das sondas de PET, uma metodologia revolucionária cujos desenvolvedores receberam o Prêmio Nobel de Química em 2022.
“Essa abordagem permite melhorar a qualidade da imagem e reduzir a dose de radiação à qual o paciente é exposto por meio de uma técnica de imagem em duas etapas: primeiro, localizando o alvo biológico e, posteriormente, administrando o traçador radioativo”, explica Marta Casquero Veiga, pesquisadora do IIS-FJD.
Graças a essa estratégia, esse grupo científico conseguiu identificar aumentos no sinal das sondas no cérebro de camundongos de um modelo de Alzheimer, propondo uma estratégia diagnóstica com grande potencial para uso na prática clínica.
Além dos avanços em modelos com camundongos, o estudo descreve, pela primeira vez, a presença de depósitos de plaquetas associados a um estado pró-coagulante em amostras cerebrais de doadores com Alzheimer, obtidas por meio do Banco de Tecidos da Fundação Cien.
“Essa descoberta não apenas lança luz sobre a composição dos microtrombos e a natureza do estado pró-coagulante na doença de Alzheimer, mas também abre caminho para novos alvos diagnósticos e terapêuticos”, destaca Cortés Canteli.
ABRE NOVAS OPORTUNIDADES PARA O DIAGNÓSTICO PRECOCE
Este estudo se insere na visão multifatorial atual da doença de Alzheimer, que busca identificar e abordar os diversos mecanismos biológicos que a impulsionam antes do aparecimento dos sintomas. “O foco está se deslocando progressivamente das manifestações clínicas para os diversos processos patológicos subjacentes, o que abre novas oportunidades para o diagnóstico precoce e a medicina personalizada”, destaca Carlos Cerón, pesquisador do CNIC.
Em conjunto, esses resultados reforçam o potencial das estratégias de diagnóstico não invasivas para identificar e classificar os pacientes com Alzheimer de acordo com suas características biológicas, facilitando uma medicina personalizada adaptada às necessidades específicas de cada pessoa.
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