MADRID 26 jun. (EUROPA PRESS) -
A reumatologista do Hospital Universitário 12 de Outubro, em Madri, Patricia Carreira, destacou que o diagnóstico precoce da esclerodermia e as novas terapias estão mudando o prognóstico dos pacientes.
A esclerodermia, ou esclerose sistêmica, é uma doença de baixa prevalência, que se estima afetar cerca de 13.000 pessoas na Espanha e que continua sendo a doença autoimune sistêmica com maior mortalidade.
“Trata-se de uma patologia complexa e multissistêmica que pode afetar a pele, os vasos sanguíneos, o aparelho digestivo, as articulações, os pulmões e até mesmo o coração, causando, em alguns casos, um enorme impacto na vida daqueles que a sofrem. Por isso, a detecção precoce é fundamental para melhorar o prognóstico dos afetados”, destacou Carreira.
No âmbito do Dia Mundial da Esclerodermia, comemorado em 29 de junho, a especialista insiste na necessidade de melhorar o diagnóstico precoce. Nesse sentido, ela explica que um dos primeiros sinais de alerta é o fenômeno de Raynaud, caracterizado por alterações na coloração dos dedos das mãos em contato com o frio, devido a alterações na circulação sanguínea.
“Reconhecer precocemente sintomas como o fenômeno de Raynaud, o inchaço das mãos ou certos problemas digestivos pode acelerar o diagnóstico e permitir que os pacientes tenham acesso mais cedo ao acompanhamento e ao tratamento adequados”, afirma.
Carreira destaca que, nos últimos anos, houve um avanço significativo nessa área: “Felizmente, em 2026, o diagnóstico da esclerodermia é muito mais rápido do que há alguns anos. Isso nos permite iniciar os tratamentos mais cedo e melhorar as perspectivas dos pacientes”.
AVANÇOS QUE ABREM UMA NOVA ETAPA
Segundo a especialista, o conhecimento sobre a doença recebeu um importante impulso graças a iniciativas internacionais como o registro EUSTAR, que reúne informações de mais de 25.000 pacientes e permitiu compreender melhor as complicações mais graves da doença, especialmente o comprometimento pulmonar intersticial e a hipertensão arterial pulmonar, principais causas de mortalidade.
Paralelamente, os ensaios clínicos realizados nos últimos quinze anos deram origem a novos tratamentos direcionados tanto à inflamação e à autoimunidade quanto aos processos de fibrose. “Já dispomos de terapias que se mostraram capazes de retardar a progressão de algumas manifestações da doença, e contamos com outros medicamentos muito promissores aguardando aprovação”, destaca Carreira.
Entre as linhas de pesquisa mais inovadoras estão as terapias celulares, como as células CAR-T e os anticorpos bispecíficos direcionados contra os linfócitos B, que estão apresentando resultados animadores em estudos clínicos preliminares. Também há avanços em direção a uma medicina mais personalizada.
“A integração de dados clínicos, genéticos e moleculares permitirá identificar qual tratamento pode ser mais eficaz para cada paciente e antecipar melhor a evolução da doença”, explica.
Apesar dos avanços, ainda existem importantes necessidades médicas não atendidas. Para Carreira, o principal objetivo é desenvolver tratamentos capazes de interromper a evolução da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, especialmente em áreas como o comprometimento digestivo.
GARANTIR O ACESSO EQUITATIVO E MELHORAR O DIAGNÓSTICO PRECOCE
Por sua vez, a presidente da Associação Espanhola de Esclerodermia (AEE), Beatriz García, relembra as principais reivindicações dos pacientes: melhorar o diagnóstico precoce para reduzir os atrasos no diagnóstico, garantir o acesso equitativo a um atendimento multidisciplinar especializado em todo o território, impulsionar a pesquisa sobre as causas, a evolução e o tratamento da esclerodermia, e aumentar a conscientização social e sanitária para que essa doença deixe de ser uma grande incógnita.
“Consideramos fundamental reforçar o apoio psicológico, social e sociosanitário aos pacientes e suas famílias, bem como facilitar o acesso a recursos que contribuam para melhorar sua qualidade de vida, incluindo ferramentas de telemedicina e programas de atendimento integral”, afirma ela.
Quanto à comemoração do Dia Mundial da Esclerodermia, este ano a AEE se une à campanha promovida pela Federação Europeia de Associações de Esclerodermia (FESCA) com o lema “Ouça o que não se ouve”. Com essa iniciativa, busca-se chamar a atenção para tudo aquilo que muitas vezes permanece invisível: os sintomas que não se veem, as dificuldades para obter um diagnóstico, o impacto emocional e social da doença e as necessidades das pessoas que convivem com ela todos os dias.
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