Publicado 28/08/2026 13:37

Uma psicóloga alerta para a ansiedade antecipatória diante do retorno ao trabalho

Archivo - Arquivo - Jovem com estresse e ansiedade.
ANTONIOGUILLEM - Arquivo

MADRID 28 ago. (EUROPA PRESS) -

A psicóloga da Blua de Sanitas, María Calle, alertou sobre a ansiedade antecipatória diante do retorno ao trabalho, que surge quando o organismo reage a um cenário futuro como se ele já estivesse acontecendo.

O retorno ao trabalho costuma ser analisado quando a pessoa já se reintegrou, mas, em muitos casos, o mal-estar começa antes. Durante os últimos dias de férias, podem surgir pensamentos repetitivos sobre tarefas pendentes, dificuldade para descansar, tensão corporal, irritabilidade ou uma sensação de urgência sem causa imediata.

No contexto profissional, esse fenômeno não depende apenas da gestão individual das emoções. A hiperconectividade, o acúmulo de mensagens, a falta de limites durante as férias ou a previsão de uma agenda sobrecarregada transformam o retorno em uma experiência pouco definida. Quanto menos informações reais a pessoa tem sobre o que a espera, mais espaço ganha a interpretação antecipada em algumas pessoas.

“Quando alguém passa os últimos dias de férias repassando mentalmente reuniões, e-mails ou conversas pendentes, não está resolvendo o problema, está ensaiando uma ameaça com dados irreais. A ansiedade antecipatória tenta recuperar a sensação de controle, mas, se se transformar em ruminação, reduz justamente aquilo que as férias deveriam proporcionar: recuperação emocional e descanso psicológico”, explicou Calle.

Essa ansiedade é detectada porque a antecipação ocupa um espaço desproporcional. Um sinal claro é deixar de aproveitar os últimos dias de descanso porque a atenção volta repetidamente para o trabalho. Geralmente se manifesta com pensamentos intrusivos sobre tarefas pendentes, necessidade de verificar e-mails, dificuldade para adormecer, despertares precoces, tensão muscular, pressão no peito, desconfortos digestivos ou irritabilidade.

Também se observa no comportamento. Algumas pessoas reorganizam mentalmente o retorno várias vezes, adiantam tarefas sem necessidade real ou evitam falar sobre o retorno porque isso lhes causa mal-estar. O segredo está em distinguir se a antecipação ajuda a planejar e relaxar ou se, ao contrário, altera o humor, interfere no descanso e gera uma sensação de ameaça antes mesmo de haver uma exigência profissional concreta.

“O problema se intensifica quando as férias não permitiram uma desconexão real. Verificar o e-mail ‘só por um momento’ ou responder mensagens fora do horário de trabalho mantém ativa a ligação com a obrigação autoimposta. A pessoa não consegue entrar totalmente no modo de descanso e também não se sente preparada para voltar”, acrescenta Calle.

SEPARAR FATOS DE HIPÓTESES

Nesse contexto, os psicólogos especialistas da Sanitas recomendam uma série de orientações para lidar com essa situação como uma “reintegração psicológica”, uma transição breve que não consiste em trabalhar durante as férias, mas em reduzir a incerteza sem invadir o descanso.

Assim, eles aconselham separar fatos de suposições. Anotar o que se sabe com certeza sobre o retorno, o que está sendo imaginado e qual seria a primeira ação razoável ao voltar ajuda a reduzir a sensação de ameaça geral.

Além disso, é recomendável evitar verificar e-mails como forma de se acalmar. Consultar mensagens de forma compulsiva aumenta a ansiedade, pois introduz novas demandas sem capacidade real de resposta. Se for imprescindível verificar algo, convém fazê-lo em um intervalo específico e com um objetivo limitado. Sempre que for uma urgência real.

Também é preciso proteger o primeiro período após o retorno ao trabalho. Sempre que possível, o início do trabalho deve ser reservado para revisar prioridades e distinguir o que é urgente do que está acumulado. Voltar diretamente para uma sequência de reuniões aumenta a sensação de sobrecarga.

Também é recomendável regular o corpo antes de lidar com os pensamentos. Respiração diafragmática, relaxamento muscular progressivo, uma caminhada leve ou alongamentos ajudam a diminuir a ativação fisiológica. Quando o corpo continua em estado de alerta, raciocinar sobre o trabalho se torna menos eficaz.

Por fim, é aconselhável conversar com a equipe sobre as prioridades reais. Esclarecer o que requer resposta imediata e o que pode esperar reduz a ambiguidade, um dos fatores que mais alimentam a ansiedade antecipatória.

“Do ponto de vista da psiquiatria, convém distinguir uma reação adaptativa de um quadro que requer avaliação clínica. Se a angústia impedir o sono por vários dias, surgirem crises de ansiedade, evitação intensa do trabalho, consumo de álcool ou medicamentos para suportar o retorno, ou se o mal-estar persistir além das primeiras semanas, é recomendável consultar um profissional, seja presencialmente ou por videoconsulta”, destacou Soraya Bajat, chefe do serviço de Saúde Mental do Hospital Universitário Sanitas La Zarzuela.

“O tratamento não consiste em se automedicar, mas em avaliar a origem, a intensidade e o impacto funcional”, concluiu a chefe do Serviço de Saúde Mental do Hospital Universitário Sanitas La Zarzuela.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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