Jesús Hellín - Europa Press - Arquivo
MADRID 27 abr. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de pesquisa da Universidade Carlos III de Madrid (UC3M), em colaboração com especialistas internacionais, publicou um estudo científico sobre como garantir que a seleção de comitês e grupos de especialistas seja matematicamente justa e proporcional, evitando que minorias significativas sejam excluídas.
Esses resultados poderiam encontrar aplicações na esfera política, no setor comercial ou no planejamento de atividades em grupo, para que todos os integrantes do grupo se sintam representados, destacou a Universidade em um comunicado.
Como exemplo, citam a decisão em uma comunidade de vizinhos de eleger 10 pessoas para tomar decisões importantes. “Se 30% dos eleitores compartilham uma visão semelhante, o lógico seria que 3 dos 10 eleitos representassem essa sensibilidade. Embora pareça um conceito intuitivo, traduzir essa justiça proporcional em fórmulas matemáticas e algoritmos de computação é um desafio de enorme complexidade que este estudo aborda com sucesso”, afirma.
No sistema tradicional de maioria simples, “o vencedor leva tudo”, o que permite que uma maioria de 51% ocupe 100% dos assentos de um comitê, silenciando os 49% restantes. Para evitar esse cenário, em um trabalho anterior foi proposto o conceito de Representação Justificada (JR).
Essa regra estabelece que, se um grupo de eleitores for suficientemente grande, ele tem o direito democrático de que, pelo menos, um de seus candidatos preferidos faça parte do comitê. Nesse trabalho anterior, também foi proposta a Representação Justificada Estendida (EJR), um nível mais exigente que garante que grupos grandes tenham múltiplos representantes.
REPRESENTAÇÃO JUSTIFICADA PROPORCIONAL
O estudo publicado recentemente pelos pesquisadores na revista Artificial Intelligence introduz um conceito intermediário entre a JR e a EJR: a Representação Justificada Proporcional, ou PJR, que é a inovação central destacada pelos autores.
Os pesquisadores descobriram que a regra EJR era, por vezes, tão rígida que entrava em conflito com outros princípios democráticos ideais. A proposta da PJR surge como uma ferramenta “mais equilibrada e flexível”.
“É mais exigente do que a regra básica, mas permite soluções matematicamente perfeitas que outros sistemas descartariam por questões técnicas, garantindo que nenhum grupo significativo fique de fora”, explica um dos autores do estudo, Luis Sánchez Fernández, professor do departamento de Engenharia Telemática da UC3M.
Este estudo não se limita à teoria matemática, pois encontra várias aplicações. O axioma que eles desenvolveram pode ser utilizado para projetar sistemas de votação eleitoral mais justos e proporcionais no âmbito político; para a seleção equilibrada de júris ou comitês de especialistas; ou mesmo em sistemas de recomendação, ou para decidir quais produtos exibir em uma loja online ou plataforma de conteúdo, de modo que todos os perfis de clientes encontrem opções de seu interesse, segundo os pesquisadores.
Participaram deste trabalho pesquisadores da UC3M em colaboração com o Centro Universitário de Defesa (a Escola Naval Militar de Marín, na Espanha), a Northwestern University (EUA), a University of Applied Sciences St. Pölten (Áustria) e a University of Warsaw (Polônia).
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