MADRID, 20 ago. (EUROPA PRESS) -
O especialista em Dermatologia da Clínica Universidade de Navarra, Gabriel Schlager, destacou que uma pequena ferida na glande que não cicatriza, uma vermelhidão persistente por semanas ou uma lesão que cresce lentamente e não causa dor podem ser os primeiros sinais de um carcinoma de pênis, um tumor raro, mas potencialmente grave, cujo prognóstico melhora com o diagnóstico precoce.
“O principal problema é que muitos pacientes procuram atendimento tarde, porque a lesão não dói ou por vergonha”, explicou Schlager.
Na Espanha, são diagnosticados cerca de 200 novos casos a cada ano. Embora represente uma porcentagem muito pequena dos tumores masculinos, sua evolução muda radicalmente quando detectado nos estágios iniciais.
“Se o tumor estiver localizado, podemos curá-lo por meio de tratamentos conservadores que preservam o pênis e mantêm sua função. O problema surge quando o diagnóstico é tardio e o câncer já afetou os gânglios linfáticos ou se espalhou para outros órgãos”, destaca o especialista.
O carcinoma de pênis costuma se desenvolver lentamente ao longo de anos. Aproximadamente metade dos casos está relacionada a determinados subtipos oncogênicos do vírus do papiloma humano (VPH), embora também possa surgir em doenças inflamatórias crônicas da glande, como o líquen escleroso ou a balanite recorrente.
Por isso, Schlager recomenda consultar um especialista sempre que surgir uma lesão que não cicatrize: “Não estamos falando de qualquer irritação passageira. O que nos preocupa é uma ferida, uma placa avermelhada ou uma lesão que persiste por semanas, não dói e vai crescendo aos poucos”.
Nesses casos, uma avaliação precoce por especialistas em dermatologia ou urologia permite confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento antes que o tumor progrida.
O DIAGNÓSTICO PRECOCE PODE EVITAR CIRURGIAS MAIS AGRESSIVAS
Quando o tumor é detectado nos estágios iniciais, a primeira opção costuma ser uma cirurgia muito precisa, conhecida como cirurgia de Mohs, que permite extirpar completamente o câncer, preservando o máximo possível de tecido saudável. Em alguns pacientes, também podem ser utilizados tratamentos locais, como terapia a laser ou determinadas modalidades de radioterapia.
No entanto, quando o câncer invade tecidos profundos, pode ser necessário realizar intervenções muito mais extensas, incluindo a amputação parcial ou total do pênis. Se, além disso, houver metástases nos gânglios linfáticos ou a distância, o prognóstico piora consideravelmente. “Nosso objetivo é sempre diagnosticar o tumor antes que se chegue a essa situação”, acrescenta o especialista.
Schlager lembra que a vacinação contra o HPV em crianças constitui uma medida preventiva muito importante, pois evita a infecção por alguns dos subtipos do vírus responsáveis pelo desenvolvimento desse tumor anos mais tarde.
Além disso, ele explica que a circuncisão reduz significativamente o risco de desenvolver carcinoma de pênis, razão pela qual faz parte do tratamento de pacientes que não a realizaram anteriormente e foram diagnosticados com esse câncer.
Da mesma forma, o tratamento do carcinoma de pênis requer a participação coordenada de dermatologistas, urologistas, oncologistas e oncologistas radioterapeutas para selecionar a estratégia mais adequada para cada paciente. “Cada caso é analisado individualmente para oferecer o tratamento que permita obter o melhor controle do tumor, preservando, sempre que possível, a função e a qualidade de vida do paciente”, conclui Schlager.
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