MADRID 29 set. (EUROPA PRESS) -
A nutricionista da Unidade de Dietética e Nutrição do Centro DcienciaSalud, Rocío Diago, alertou que nenhum suplemento natural pode substituir o tratamento médico das doenças reumáticas.
“Atualmente, não há evidências científicas sólidas que comprovem que a eliminação do glúten ou dos laticínios melhore os sintomas ou a evolução das doenças reumáticas, exceto em casos específicos de intolerâncias ou patologias diagnosticadas. Da mesma forma, nenhum suplemento natural pode substituir o tratamento médico”, afirmou Diago.
No contexto do ‘Mês das Doenças Reumáticas’, a especialista destacou que, no caso de produtos como ômega-3, vitamina D ou colágeno, as evidências científicas disponíveis ainda não são suficientes para recomendar sua suplementação generalizada em pacientes reumáticos. Por isso, ela esclarece, “a suplementação só é recomendada quando houver uma deficiência comprovada”.
Além disso, Diago alertou sobre os riscos da automedicação com suplementos, já que alguns podem interagir com determinados medicamentos ou causar efeitos adversos se consumidos em excesso. “Em nutrição, nem sempre mais é melhor”, lembra ela.
Embora a alimentação ainda não tenha demonstrado um efeito direto e contundente sobre a dor ou a inflamação, a especialista afirma que ela desempenha um papel importante em outros aspectos-chave dessas patologias, como o controle do risco cardiovascular, a saúde óssea, alterações na composição corporal ou no manejo de doenças associadas, como diabetes, hipertensão, dislipidemias ou doença renal.
Por isso, é fundamental trabalhar a educação nutricional: “É essencial que os pacientes saibam que não existem alimentos proibidos nem dietas capazes de curar essas doenças. Informações precisas e o acompanhamento profissional são essenciais para melhorar sua saúde e qualidade de vida”.
PROMOVER HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS
A especialista explicou que as evidências científicas atuais ainda são limitadas e não permitem afirmar que a dieta, por si só, possa alterar significativamente a evolução dessas doenças.
“Mesmo assim, certos padrões alimentares parecem estar associados a benefícios moderados. Entre eles, destaca-se a dieta mediterrânea, caracterizada pelo alto consumo de frutas, verduras, legumes, frutas secas, azeite de oliva, grãos integrais e peixes azuis”, observou Diago.
“Uma maior adesão a padrões alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea, pode estar relacionada a uma menor incidência ou atividade de algumas doenças reumáticas, como a artrite reumatoide”, acrescentou.
Diago destacou que um padrão alimentar rico em alimentos de origem vegetal e gorduras saudáveis para o coração pode promover o bem-estar geral e ajudar a controlar fatores associados a essas patologias. Por outro lado, os padrões característicos da chamada “dieta ocidental” — rica em carnes vermelhas, produtos ultraprocessados, bebidas açucaradas, lanches e doces — podem favorecer um estado de inflamação sistêmica e piorar a saúde geral do paciente.
A MICROBIOTA E O SISTEMA IMUNOLÓGICO: UMA RELAÇÃO FUNDAMENTAL
Segundo os especialistas, a microbiota intestinal desempenha um papel fundamental no funcionamento do sistema imunológico, pois ajuda o organismo a distinguir entre bactérias benéficas e patogênicas, mantendo o equilíbrio imunológico.
“Quando ocorre uma alteração na microbiota intestinal, ou disbiose, aumenta a permeabilidade intestinal e é favorecida uma resposta inflamatória sistêmica de baixo grau que pode desencadear ou perpetuar doenças inflamatórias imunomediadas”, explicou Patricia Ruiz-Limón, pesquisadora de pós-doutorado do Instituto de Pesquisa Biomédica de Málaga – Plataforma BIONAND e do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Universitário Virgen de la Victoria, em Málaga.
Nesse sentido, ela lembra que certos hábitos podem contribuir para manter uma microbiota saudável, como seguir uma alimentação rica em fibras, frutas, verduras e legumes, praticar exercícios físicos regularmente, descansar adequadamente e fazer uso responsável dos medicamentos. “O estilo de vida afeta diretamente a saúde intestinal e, portanto, a evolução dessas patologias”, ressalta a especialista.
Atualmente, existem diferentes estratégias voltadas para modular a microbiota intestinal, como o uso de probióticos e prebióticos, ou o transplante de microbiota fecal: uma linha de pesquisa cada vez mais relevante no contexto das doenças autoimunes. “Cuidar da microbiota pode ajudar, em parte, a promover períodos de remissão mais prolongados nesse tipo de doença”, destacou Ruiz-Limón.
Nesse contexto, ela destacou que a enfermagem desempenha um papel fundamental na educação terapêutica e no acompanhamento do paciente. “É essencial ajudar o paciente a compreender que seus hábitos de vida influenciam diretamente sua doença e seu bem-estar geral”, conclui.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático