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MADRID 30 out. (EUROPA PRESS) -
Nesta quinta-feira, a Fundação Cris Contra el Cáncer apresentou os resultados de um estudo pioneiro no qual uma nova terapia CAR-T em tandem foi aplicada a pacientes pediátricos com leucemia recidivante. O tratamento foi administrado a doze crianças, oito das quais estão atualmente livres da doença e desfrutam de uma boa qualidade de vida.
O estudo envolveu pacientes pediátricos e adultos jovens com leucemia linfoblástica aguda do tipo B (B-ALL) de alto risco, todos já tratados sem sucesso com diferentes estratégias, incluindo a terapia CART-19, sem alternativas às terapias convencionais. Eles receberam essa terapia como último recurso para deter a doença, em um regime denominado "uso compassivo".
Um mês após a infusão dessa terapia celular, oito dos dez pacientes tinham tanta doença que ela era indetectável. Cinco deles puderam receber transplantes de medula óssea que consolidaram o sucesso do tratamento e, após uma média de 20 meses de acompanhamento, seis dessas dez crianças ainda estão vivas, o que representa uma sobrevida geral de cerca de 60% em crianças que não tinham outras opções.
"Conseguimos manter a resposta em muitos desses pacientes ao longo do tempo, sabemos que o tratamento dura pouco tempo, pois é um tratamento ponte para outra estratégia e precisa ser consolidado com outro transplante individualizado", disse Antonio Pérez, diretor da Unidade CRIS de Terapias Avançadas em Câncer Infantil, localizada no Hospital Universitário La Paz, em Madri.
A NOVA GERAÇÃO DE TERAPIAS CAR-T
A leucemia linfoblástica aguda de células B (B-ALL) é o tipo de câncer mais comum na infância. Graças aos avanços na imunoterapia, especialmente nas células CAR-T (linfócitos modificados em laboratório para detectar e destruir células tumorais), a sobrevida é superior a 90%. No entanto, mais da metade dos pacientes que recebem uma CAR-T apresentam recaída depois de inicialmente se considerarem curados.
Em resposta a essa situação, a equipe da Unidade CRIS para Terapias Avançadas em Câncer Infantil produziu uma terapia CAR-T em tandem que reconhece simultaneamente duas moléculas diferentes (CD19 e CD22). Assim, se o tumor esconder uma delas, as células são capazes de detectar a outra, dificultando a recidiva da doença. Os pesquisadores trouxeram essa terapia para pacientes com LLA-B recidivada após o CART-19 em um programa de uso compassivo e obtiveram resultados muito animadores.
Esse estudo representa o primeiro relatório clínico na Europa e na Espanha com essa abordagem terapêutica, que já foi publicada na China, nos EUA e no Reino Unido. Agora, graças a esses resultados, a Unidade CRIS lançou um estudo clínico para validar e expandir a aplicação dessa estratégia inovadora. De fato, a fase de recrutamento já começou, com a primeira infusão realizada na última semana de julho.
O CASO DE LUCÍA
Lucía, uma garota de 15 anos que recebeu o tratamento com sucesso, estava presente durante a apresentação dos resultados. Lucía foi diagnosticada com leucemia linfoblástica tipo B aos 17 meses de idade. "Agora me sinto ótima, normalmente tenho recaídas um ano após o tratamento, mas não tive nenhuma e estou muito feliz. Parece que agora estou curada", disse Lucía.
Agora, o desejo de Lucía é que outras crianças possam ser curadas: "Quero que isso se espalhe para outros hospitais, para que outras crianças não tenham que passar 15 anos tentando coisas até chegarem à coisa boa. Quero que elas passem o mínimo de tempo possível nos hospitais", disse ela.
Seu pai, José Álvarez, disse que Lucía teve quatro recaídas desde que começou seu tratamento em Cádiz. "Estávamos em Cádiz, em Valência, em Barcelona, voltamos a Valência e, nessa jornada, acabamos em Madri, em La Paz", disse Álvarez, acrescentando que foi a família que teve de procurar opções terapêuticas para a filha.
"O que é urgente é que não sejam as famílias que tenham de procurar esses tratamentos e que isso não dependa da sorte", disse ela.
PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA
Esse projeto representa uma aliança estratégica entre a Fundação CRIS Contra o Câncer, o Hospital Universitário de La Paz, o Instituto de Pesquisa IdiPAZ, o Centro Nacional de Pesquisa do Câncer (CNIO) e o Centro de Pesquisa Energética, Ambiental e Tecnológica (CIEMAT). Juntos, eles promoveram um modelo de colaboração em pesquisa translacional e tratamento de câncer de alta complexidade, voltado para crianças com câncer.
"A colaboração público-privada entre fundos de saúde pública e da sociedade civil é uma ferramenta fundamental para promover a inovação e a pesquisa biomédica, otimizando recursos e atraindo talentos", disse Lola Manterola, presidente da CRIS Contra el Cáncer.
Por fim, a Ministra Regional da Saúde da Comunidade de Madri, Fátima Matute, que encerrou o evento, destacou os resultados do estudo e apoiou a medicina como um "elemento de transformação".
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