Publicado 24/06/2026 08:26

Uma nova tecnologia ajuda a revelar como o coração gera células com potencial regenerativo

Archivo - Arquivo - Coração, órgão
PAUL CAMPBELL/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 24 jun. (EUROPA PRESS) -

Duas equipes do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares Carlos III (CNIC) desenvolveram uma técnica pioneira na Espanha que permite caracterizar o proteoma individual dos cardiomiócitos, as células responsáveis pela contração cardíaca, o que abre novos caminhos para o estudo da capacidade regenerativa do coração.

A pesquisa, publicada na revista “Genome Biology”, demonstra que o fator de transcrição Myc, utilizado em estratégias regenerativas, altera a expressão de proteínas em cada célula separadamente, gerando uma subpopulação de cardiomiócitos com potencial regenerativo.

Os resultados obtidos pelos pesquisadores do CNIC, conforme destacam Miguel Torres e Jesús Vázquez, diretores deste trabalho, fornecem informações essenciais para compreender o mecanismo de ação do fator de transcrição Myc no nível de cardiomiócitos individuais, mas também para o desenvolvimento de futuras terapias regenerativas.

Cada órgão e tecido do corpo é formado por diferentes tipos de células que desempenham funções específicas. No coração, por exemplo, coexistem cardiomiócitos com fibroblastos, células que revestem os vasos sanguíneos e células do sistema imunológico, entre outras.

Pesquisas recentes revelaram que, mesmo as células de um mesmo tipo, não são idênticas entre si. Algumas apresentam características e funções diferentes, formando subpopulações especializadas que desempenham papéis específicos no funcionamento dos tecidos e no desenvolvimento de doenças.

O estudo dessa diversidade celular transformou a pesquisa biomédica nos últimos anos e está proporcionando novos conhecimentos em áreas tão relevantes quanto o câncer, as doenças neurodegenerativas ou as patologias cardiovasculares. No entanto, analisar de forma sistemática as proteínas presentes em cada célula individual continua sendo um importante desafio tecnológico que limita a capacidade de compreender plenamente como funcionam os tecidos saudáveis e doentes.

No trabalho, um grupo de cientistas do CNIC, em colaboração com o Instituto Karolinska de Estocolmo (Suécia), desenvolveu uma tecnologia para caracterizar o proteoma (ou conjunto de proteínas expressas) de cardiomiócitos individuais isolados do coração.

Esse novo método, explica Vázquez, “foi desenvolvido combinando métodos otimizados de isolamento celular, técnicas de espectrometria de massa de última geração e novos algoritmos bioinformáticos e estatísticos”.

O coração dos mamíferos não possui capacidade regenerativa na fase adulta, de modo que não é capaz de restaurar células danificadas por eventos ou doenças cardiovasculares.

Recentemente, o grupo de Miguel Torres demonstrou que a expressão do fator de transcrição Myc no coração adulto favorece sua recuperação após um infarto do miocárdio.

Esses estudos mostraram, afirma Torres, “que o Myc tem um grande potencial para o desenvolvimento de terapias regenerativas; no entanto, o mecanismo de ação desse fator e seu impacto nos cardiomiócitos, particularmente no nível da célula individual, permaneciam desconhecidos até o momento”.

Nesta ocasião, os autores aplicaram o novo método de análise do proteoma de cardiomiócitos isolados para estudar o efeito da expressão do fator de transcrição Myc em cardiomiócitos do coração adulto.

“Nossos resultados mostram que a expressão de Myc altera de maneira diferente a expressão de enzimas metabólicas em cada célula separadamente, gerando distintos estados de imaturidade celular e o surgimento de uma subpopulação de cardiomiócitos com potencial regenerativo”, conclui a pesquisadora Consuelo Marín-Vicente, autora principal do trabalho.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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