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GRANADA 7 abr. (EUROPA PRESS) -
Um estudo liderado pelo Instituto de Química Física Blas Cabrera (IQF-CSIC), pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), pelo Instituto de Chipre e pela Universidade de Helsinque conseguiu identificar, pela primeira vez, algumas das espécies de mercúrio presentes na atmosfera.
O trabalho, publicado na revista Nature Communications, utiliza espectroscopia de massa para detectar a presença desse contaminante na atmosfera, o que permitiu identificar concentrações elevadas de compostos não previstos pelos modelos químicos atuais.
Os resultados trazem novas informações que permitirão melhorar as previsões sobre como esse contaminante se distribui no meio ambiente e compreender melhor seu comportamento uma vez que chega à atmosfera.
MERCÚRIO E ATMOSFERA
O mercúrio é um poluente de alta prioridade devido à sua elevada toxicidade e à sua capacidade de bioacumulação nos ecossistemas.
Sua concentração no meio ambiente aumentou notavelmente tanto pelo uso direto do mercúrio pela humanidade quanto pelas emissões indiretas associadas a atividades industriais, como a refinação de metais ou a queima de combustíveis fósseis.
Como resultado desse uso contínuo ao longo da história, o mercúrio tornou-se um problema de poluição global. Uma das chaves para entender como esse contaminante se dispersa é saber o que ocorre com o mercúrio quando ele se encontra na atmosfera.
Em sua forma mais estável, o mercúrio é relativamente pouco reativo e pode percorrer grandes distâncias pelo planeta antes de se depositar na superfície.
No entanto, quando atinge a atmosfera, o mercúrio pode reagir com outros compostos e se transformar em diferentes moléculas, conhecidas como espécies de mercúrio.
As espécies de mercúrio são mais solúveis e reativas, por isso tendem a se depositar mais rapidamente em solos, oceanos ou ecossistemas aquáticos.
Portanto, saber em quais espécies o mercúrio se transforma é fundamental para compreender por quanto tempo ele permanece no ar e onde acabará se acumulando.
No entanto, a identidade de muitas dessas espécies sempre representou uma importante lacuna no conhecimento.
Um obstáculo importante para compreender melhor as reações do mercúrio na atmosfera tem sido a falta de métodos capazes de medir e diferenciar os compostos específicos de mercúrio oxidado.
Embora fosse possível medir a quantidade total desse tipo de mercúrio, até agora não se conseguia identificar exatamente em quais moléculas ele se encontrava.
“A capacidade de identificar essas moléculas nos permite começar a reconstruir com maior precisão as reações químicas que controlam o comportamento do mercúrio na atmosfera”, destaca Juan Carlos Gómez Martín, pesquisador do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) e coautor do estudo.
ESPÉCIES DE MERCÚRIO OXIDADO
Pela primeira vez, foram detectadas diferentes espécies de mercúrio oxidado na atmosfera durante campanhas de medição, graças a um método conhecido como espectrometria de massa de tempo de voo com ionização química e interface à pressão atmosférica (CI-APi-TOF).
Este instrumento é extremamente sensível e permite identificar compostos atmosféricos a partir de suas massas moleculares, explica Tuija Jokinen, pesquisadora do Instituto de Chipre e da Universidade de Helsinque e primeira autora do estudo.
“Ninguém havia pensado antes em verificar se havia um sinal de compostos de mercúrio nos dados obtidos em campanhas de medição anteriores.”
A partir dessa ideia, iniciou-se a colaboração com especialistas do CSIC no ciclo do mercúrio, o que permitiu identificar inequivocamente várias espécies de mercúrio oxidado.
O estudo baseou-se em dados coletados durante duas campanhas de medição em regiões polares: uma realizada no Oceano Ártico durante a expedição MOSAiC e outra na estação finlandesa Aboa, na Antártida.
As medições permitiram detectar sete compostos halogenados de mercúrio — espécies que contêm halogênios como cloro, bromo ou iodo.
No Ártico, o composto predominante foi o brometo de mercúrio (HgBr2), enquanto na Antártida observou-se uma maior diversidade de espécies, embora, em geral, predominassem o HgBr2 e o cloreto de mercúrio (HgCl2).
“Chamou-nos muito a atenção que o HgBr2 predominasse nas medições, já que nos modelos atuais da química do mercúrio ele é considerado uma espécie minoritária tanto em escala global quanto nas zonas polares”, destaca Aryeh Feinberg, coautor do estudo e pesquisador pós-doutorado Marie Curie no Instituto de Química Física Blas Cabrera (IQF-CSIC).
Essa discrepância em relação aos modelos disponíveis indica que a química do mercúrio na atmosfera ainda não é totalmente compreendida.
Nesse contexto, os resultados do trabalho fornecem informações essenciais para aprimorar os modelos atmosféricos que descrevem seu transporte e suas reações químicas.
“Nossas medições servem de bússola para orientar estudos futuros sobre as reações que o mercúrio sofre na atmosfera”, destaca Alfonso Saiz-López, pesquisador do IQF-CSIC e autor do estudo.
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