Publicado 24/03/2026 09:28

Uma nova estratégia contra o câncer consegue, em condições in vitro, uma maior morte celular com menos quimioterapia

Em vermelho, o fármaco, após o tratamento térmico, se espalha pela célula e chega ao núcleo (em azul).
ICMM

MADRID 24 mar. (EUROPA PRESS) -

Um estudo liderado pelo Instituto de Ciência dos Materiais de Madrid (ICMM-CSIC) testou em células um novo sistema de nanopartículas que combina, pela primeira vez, um medicamento comumente utilizado na quimioterapia (doxorrubicina) com a aplicação de duas formas distintas de calor local — por meio de radiação no infravermelho próximo e um campo magnético — para potencializar sua ação, obtendo bons resultados 'in vitro'.

O método permite uma liberação controlada do medicamento e a redução da toxicidade associada à quimioterapia com doxorrubicina. Essa nova abordagem, selecionada como capa da revista “Advanced NanoBiomed Research”, abre uma via terapêutica ainda em fase inicial, mas promissora.

O estudo demonstra que o uso de terapias contra o câncer que combinam dois tipos de hipertermia (tratamentos baseados em calor) com quimioterapia administrada “in situ” permite diminuir as doses do medicamento. O trabalho foi realizado em modelos “in vitro” de células tumorais de câncer de mama, embora possa ser estendido a qualquer tipo de tumor e seja replicável em maior escala.

Esse tratamento é denominado trimodal porque combina três ações simultâneas contra o câncer: nanopartículas magnéticas (milhares de vezes menores que a espessura de um fio de cabelo) às quais foi incorporada a doxorrubicina (um dos medicamentos mais utilizados na quimioterapia); um campo magnético que produz calor (hipertermia magnética) e, finalmente, radiação no infravermelho próximo, que também gera calor (terapia fototérmica).

Além disso, “as nanopartículas liberam o medicamento exatamente quando recebem o calor, o que é conhecido como quimioterapia localizada em condições clinicamente seguras”, como explica Ana Espinosa, pesquisadora do CSIC no Instituto de Ciência dos Materiais de Madri (ICMM-CSIC) e líder do estudo.

“Ao ativar a liberação do fármaco sensível ao pH e o aquecimento sinérgico dentro das células cancerosas, essas nanopartículas conseguem uma potente destruição das células tumorais, ao mesmo tempo em que minimizam a toxicidade sistêmica”, esclarece Espinosa.

Esta pesquisa é o resultado de uma colaboração entre o Instituto de Ciência dos Materiais de Madri (ICMM-CSIC), o Instituto IMDEA Nanociência, o Instituto Curie (França) e o Instituto de Cerâmica e Vidro (ICV-CSIC).

O ESTUDO SE CONCENTRA EM DEMONSTRAR O POTENCIAL DO TRATAMENTO

A utilização de cada técnica separadamente não permite atingir com segurança a temperatura necessária para eliminar as células tumorais. Mas, ao combinar os dois tratamentos térmicos, essa temperatura é alcançada e, além disso, “é possível diminuir a dose do medicamento, a intensidade do laser e a do campo magnético, tornando o tratamento menos agressivo”, destaca a especialista.

As células cancerígenas são especialmente sensíveis ao calor, como destaca Ana Espinosa, pelo que este tratamento funciona como uma “armadilha de calor” para eliminar as células tumorais. “Procuramos produzir um efeito terapêutico que nos permita, ao mesmo tempo, diminuir as doses tóxicas para os tecidos saudáveis”, assinala a investigadora.

O estudo, que se concentrou principalmente em demonstrar o potencial do tratamento trimodal, foi realizado com nanopartículas magnéticas de óxido de ferro, que se degradam naturalmente, podem ser assimiladas pelo organismo e, nessas doses, não produzem toxicidade. “Conseguimos uma morte celular que chega a 70% em 72 horas, o que representa um aumento significativo da eficácia em relação aos tratamentos individuais”, detalha Espinosa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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