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MADRID 1 abr. (EUROPA PRESS) -
A neuropediatra do Hospital Universitário Vithas Madrid Aravaca, Ariadna Sánchez, destacou que o diagnóstico precoce do transtorno do espectro autista é fundamental para promover o desenvolvimento infantil e ressaltou que os primeiros anos, especialmente entre 0 e 3 anos, constituem uma janela de oportunidade crucial.
“O autismo é uma condição do desenvolvimento neurológico que acompanha a pessoa ao longo de toda a vida e que implica uma forma diferente de processar informações, comunicar-se e relacionar-se com o ambiente”, afirmou Sánchez no âmbito do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado em 2 de abril.
A especialista explicou que alguns dos indicadores precoces mais comuns incluem atraso na aquisição da linguagem, menor contato visual, pouca resposta ao nome ou dificuldades no uso de gestos comunicativos. Ela também menciona sinais mais sutis que muitas vezes passam despercebidos, como a falta de atenção compartilhada — não buscar o olhar do adulto diante de algo chamativo — ou padrões repetitivos de brincadeira que podem ser confundidos com traços de personalidade.
Nesse contexto, Sánchez destaca que os primeiros anos, especialmente entre 0 e 3 anos, constituem uma janela de oportunidade crucial. Nesse período, a plasticidade do cérebro permite que as intervenções precoces tenham um impacto especialmente positivo no desenvolvimento da linguagem, da comunicação, das habilidades sociais e da autonomia. “Terapias como fonoaudiologia ou psicomotricidade, juntamente com apoios adequados no ambiente escolar, podem fazer uma diferença significativa”, observou.
ABORDAGEM INTEGRAL E PRÓXIMA PARA ACOMPANHAR AS FAMÍLIAS
No Hospital Universitário Vithas Madrid Aravaca, ressaltam que o processo de diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada do neurodesenvolvimento, um exame físico e neurológico completo e, quando necessário, a realização de testes estruturados como ADOS-2, ADI-R, escalas de desenvolvimento e observação clínica.
Esse processo, acrescentam, é conduzido por uma equipe multidisciplinar formada por neuropediatras, psicólogos, fonoaudiólogos e outros especialistas, trabalhando de forma coordenada e mantendo uma comunicação estreita com o ambiente escolar.
Após o diagnóstico, o hospital acompanha as famílias por meio de um plano de intervenção individualizado e um apoio próximo. A médica insiste que é fundamental informar as famílias com clareza, orientá-las sobre recursos confiáveis e lembrá-las de que cada criança tem um enorme potencial que pode ser desenvolvido com os apoios adequados.
Além disso, a especialista destaca que atualmente ainda existem inúmeros mitos sobre o autismo que podem gerar confusão e até mesmo angústia nas famílias. Nesse sentido, ela indicou que um dos mais difundidos é pensar que o TEA tem uma causa única ou que está relacionado à forma de criação, algo totalmente descartado pela comunidade científica. Também persiste a ideia de que todas as pessoas com autismo apresentam as mesmas características ou que não poderão levar uma vida plena. “Quando a realidade é bem diferente: cada menino ou menina tem um perfil próprio, um ritmo e pontos fortes que podem ser potencializados com apoios adequados”, acrescentou.
Para a doutora Sánchez, desmontar esses mitos é essencial para que a sociedade avance em direção a uma compreensão mais realista e respeitosa do espectro: “Com os apoios adequados, cada criança pode trilhar seu próprio caminho e alcançar seu potencial máximo”.
“O autismo faz parte da diversidade humana. Detectar, compreender e acompanhar são as chaves para que cada criança possa se desenvolver plenamente e atingir seu potencial máximo”, concluiu a especialista.
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