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MADRID 23 mar. (EUROPA PRESS) -
O Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa (CBM, CSIC-UAM) demonstrou que restaurar os níveis de butirato, uma molécula produzida pela microbiota intestinal e fundamental para a saúde, melhora a função intestinal, a saúde e a sobrevivência de camundongos com doenças mitocondriais.
Essas doenças são raras e causadas por mutações genéticas que impedem o funcionamento correto das mitocôndrias, estruturas celulares responsáveis pela produção de energia, o que pode afetar órgãos de alto consumo energético, como o cérebro, o coração ou os músculos, e resultar em sintomas como fadiga extrema, fraqueza muscular ou envelhecimento prematuro.
A pesquisa do CBM, publicada na revista “Nature Communications”, descobriu uma ligação entre o funcionamento das mitocôndrias e a microbiota intestinal, o que abre caminho para novas vias terapêuticas contra essas patologias, que atualmente não têm cura.
“Quando as mitocôndrias não funcionam bem, a barreira intestinal também se enfraquece, o que altera o equilíbrio da microbiota, ou seja, dos microrganismos que vivem no intestino. Isso é fundamental, pois esses microrganismos desempenham funções importantes para a saúde: protegem o organismo e impedem que bactérias ou substâncias potencialmente nocivas do intestino passem para o sangue”, explicou a pesquisadora do CBM que liderou o estudo, María Mittelbrunn.
A alteração da microbiota provocada pelas mitocôndrias pode gerar vários problemas de saúde ao mesmo tempo, um fenômeno conhecido como multimorbidade. Para estudar esse processo, os pesquisadores desenvolveram um modelo de camundongo com alterações mitocondriais.
Esses animais apresentavam uma barreira intestinal enfraquecida e, como consequência, uma microbiota intestinal desequilibrada, com menos bactérias benéficas do que o normal. Dessa forma, a equipe constatou que o desequilíbrio intestinal se traduzia em uma menor produção de butirato, fundamental para a saúde intestinal, energética e imunológica.
Diante dessa evidência, os pesquisadores estudaram como poderiam restaurar a produção de butirato para verificar seus efeitos benéficos nos modelos de camundongos.
BENEFÍCIOS OBSERVADOS
Em um primeiro experimento, os pesquisadores transplantaram microbiota intestinal saudável para camundongos com doença mitocondrial. “O tratamento permitiu restaurar os níveis de butirato e aumentou significativamente a expectativa de vida dos animais”, destacou o pesquisador do CBM Manuel Montero Gómez de las Heras, autor do estudo.
Em seguida, testaram uma estratégia mais simples, que consistia em adicionar tributirina à dieta, uma substância que o organismo pode transformar em butirato. Os resultados mostraram que esse tratamento freava a perda de peso dos animais, melhorava sua força muscular e sua função renal e prolongava sua sobrevivência.
Segundo acrescentou Manuel Montero, também observaram que o butirato provoca alterações no funcionamento das células intestinais que ajudam a reforçar a barreira intestinal e a reduzir o dano celular associado ao estresse oxidativo, um processo no qual se acumulam moléculas altamente reativas que podem danificar diversos componentes das células.
Os pesquisadores apontaram que este estudo evidencia o papel da relação entre as mitocôndrias e a microbiota intestinal no surgimento de doenças associadas ao mau funcionamento das mitocôndrias. Além disso, afirmaram que o desenvolvimento de estratégias destinadas a recuperar moléculas benéficas produzidas pela microbiota intestinal, como o butirato, poderia abrir novos caminhos para melhorar a saúde dos pacientes.
O estudo contou com a colaboração da Universidade de Michigan (Estados Unidos), do Instituto de Pesquisa em Ciências da Alimentação (CIAL, CSIC-UAM) e do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares; e recebeu financiamento do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades e da União Europeia por meio do Conselho Europeu de Pesquisa.
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