Publicado 09/01/2026 16:02

Uma equipe internacional relata uma nova via de reação com implicações para a qualidade do ar e o clima

Galhos nus de árvores durante o solstício de inverno, em 21 de dezembro de 2025, na Serra de Guadarrama, Madri (Espanha). O início do inverno no hemisfério norte é definido pelo momento em que a Terra passa pelo ponto de sua órbita.
Rafael Bastante - Europa Press

MADRID, 9 jan. (EUROPA PRESS) - Uma equipe internacional de pesquisa, da qual participa o Instituto Leibniz para Pesquisa Troposférica (TROPOS) da Alemanha, relata uma nova via de reação com implicações para a qualidade do ar e o clima na revista Science Advances.

Os hidroperóxidos são oxidantes fortes que têm uma influência significativa nos processos químicos da atmosfera. Esta nova investigação demonstra que estas substâncias também se formam a partir de a-cetoácidos, como o ácido pirúvico, nas nuvens, na chuva e na água em aerossol quando expostas à luz solar.

Essas reações podem ser responsáveis por 5 a 15% do peróxido de hidrogênio atmosférico (H2O2) observado na fase aquosa. Isso significa que a fotólise dos a-cetoácidos agora foi identificada como outra fonte importante de oxidantes atmosféricos. Como esses processos de oxidação influenciam tanto a formação quanto a degradação de partículas e poluentes do ar, a via de reação recém-descoberta é de grande importância para a qualidade do ar e as previsões climáticas. A chave para essa descoberta são os a-cetoácidos. Esses ácidos carboxílicos contêm um grupo ceto adicional com um átomo de carbono e um átomo de oxigênio com dupla ligação. Os a-cetoácidos chegam à atmosfera por meio de diferentes reações a partir de vários gases precursores, como isopreno, aromáticos ou acetileno, que podem ser biogênicos ou antropogênicos, tanto de origem vegetal quanto industrial. Eles são amplamente distribuídos e desempenham um papel fundamental na vida na Terra, por exemplo, na bioquímica, no metabolismo dos aminoácidos nas células. No entanto, sua importância para a atmosfera e o clima global tem sido subestimada até agora. Utilizando três a-cetoácidos (ácido glioxílico, ácido pirúvico e ácido 2-cetobutírico), os pesquisadores puderam demonstrar em experimentos de laboratório e cálculos com modelos que essas substâncias, juntamente com a luz, participam da formação de hidroperóxidos, que por sua vez produzem peróxido de hidrogênio. Esses processos ocorrem na fase líquida atmosférica, ou seja, em partículas que contêm água.

O departamento de química atmosférica da TROPOS em Leipzig utilizou os dados de laboratório de Xangai (China) e Turim (Itália) em seu modelo de fase líquida CAPRAM (Mecanismo Radical Químico em Fase Aquosa) para avaliar os efeitos atmosféricos dos resultados de laboratório e fazer projeções. O modelo CAPRAM foi aperfeiçoado ao longo de muitos anos de trabalho até ao ponto de poder representar cadeias de reações altamente complexas, e estas novas descobertas foram agora incorporadas como novos canais de retroalimentação.

O estudo publicado fornece abordagens iniciais, mas também destaca lacunas no conhecimento: por exemplo, faltam medições sistemáticas de campo das concentrações de a-cetoácidos em aerossóis e água de nuvens em diferentes ambientes, necessárias para incorporar esses mecanismos nos modelos climáticos. Esses estudos ajudariam a estimar melhor o equilíbrio global de hidroperóxidos na atmosfera e seu papel na formação de partículas na fase aquosa e na produção de sulfatos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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