O estudo responde à questão de como o IFN-I regula a função dos macrófagos para resolver a inflamação. MADRID 28 jan. (EUROPA PRESS) -
Um estudo realizado no Centro Nacional de Investigaciones Cardiovasculares Carlos III (CNIC) descobriu o mecanismo pelo qual um sinal associado à resposta inflamatória e antiviral, o interferon tipo I (IFN-I), ajusta as mitocôndrias dos macrófagos para impulsionar a limpeza do dano tecidual e evitar uma inflamação descontrolada.
“Vimos que uma proteína específica estimulada pelo IFN-I, chamada ISG15, se liga às proteínas mitocondriais, provocando duas mudanças coordenadas: o aumento da produção de ATP e a redução do potencial da membrana mitocondrial. Essas mudanças metabólicas nos macrófagos melhoram a capacidade dos macrófagos de remover células mortas, o que favorece a resolução da inflamação”, explica a primeira autora, Gillian Dunphy, pesquisadora do grupo de Imunobiologia liderado por David Sancho.
Dunphy acrescenta que “além disso, a diminuição do potencial da membrana mitocondrial ativa uma protease que aumenta a fragmentação da mitocôndria. Isso altera o metabolismo e reduz a expressão de genes inflamatórios, de modo que o próprio IFN-I contribui para a resolução da inflamação”.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores combinaram análises metabólicas, microscopia avançada e modelos celulares e animais. Eles observaram que o tratamento com IFN-I aumenta a captação de células apoptóticas pelos macrófagos e que, na ausência de ISG15, essa melhora desaparece. Eles também verificaram que as mudanças na forma e na comunicação das mitocôndrias atuam como um regulador natural que evita o excesso de sinalização do interferon, algo que em outros contextos está associado à autoinflamação. “Esta descoberta traça um novo mapa de como os sinais antivirais dialogam com o metabolismo celular para equilibrar defesa e reparação. Compreender e modular esse eixo poderia inspirar estratégias para acelerar a resolução da inflamação em diversas patologias ou ajustar tratamentos baseados em interferon, maximizando os benefícios e minimizando os efeitos indesejados”, afirma David Sancho, diretor do laboratório de Imunobiologia do CNIC.
O estudo, publicado na revista Immunity, foi realizado em colaboração com as equipes de pesquisa lideradas por Susana Guerra, da Universidade Autônoma de Madri, e Francisco Sánchez-Madrid, do Hospital Universitário La Princesa, de Madri.
Além disso, contou com o financiamento do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, Agência Estatal de Pesquisa; Comunidade de Madri; Fundação Científica da Associação Espanhola Contra o Câncer; Worldwide Cancer Research; União Europeia-ERC; Organização Europeia de Biologia Molecular, Marie Sklodowska-Curie Actions, Fundação CRIS contra o câncer e Fundação “la Caixa”.
QUAIS MECHANISMOS IMPLICAM O ESTUDO Quando o organismo combate uma infecção, o sistema imunológico deve ativar rapidamente as defesas e causar uma inflamação que é benéfica. Mas é igualmente importante resolver essa inflamação para voltar ao normal. Nesse equilíbrio, são essenciais os macrófagos, células especializadas em “fagocitar” ou engolir células que morreram devido à infecção viral e em reparar os danos teciduais associados à infecção ou à reação inflamatória. O IFN-I é uma citocina que pode promover respostas inflamatórias e anti-inflamatórias, dependendo do contexto da doença. Ele ativa um programa inflamatório específico denominado genes estimulados pelo IFN-I. A inflamação, se controlada, é um processo benéfico que ajuda os macrófagos a “limpar” melhor as células mortas e reparar os danos teciduais associados, por exemplo, às infecções virais.
O estudo responde à pergunta de como o IFN-I regula a função dos macrófagos para resolver a inflamação. A equipe do CNIC demonstra que, quando os macrófagos detectam ácidos nucleicos associados a infecções virais dentro da célula, eles alteram seu metabolismo. Sua mitocôndria reduz o potencial de membrana, mas continua funcionando corretamente. Essa mudança ocorre por meio da produção de interferon tipo I (IFN-I) em resposta à infecção viral, que se liga ao receptor de IFN-I no macrófago e ativa a produção da proteína ISG15.
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