Publicado 23/10/2026 06:48

Uma em cada três pessoas que sofre um AVC tem sua capacidade de comunicação prejudicada

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Especialista em Medicina Física e Reabilitação pede que se evitem gritos, pressa, estigmas e infantilização com pacientes com afasia

MADRID, 23 out. (EUROPA PRESS) -

Membro do Conselho Diretor da Sociedade Espanhola de Reabilitação e Medicina Física (SERMEF) e médica especialista em Medicina Física e Reabilitação do Hospital Universitário Reina Sofía de Córdoba, Irene de Torres García, alertou que uma em cada três pessoas que sofre um AVC apresenta afasia, um distúrbio da linguagem que pode deteriorar a capacidade de comunicação da noite para o dia.

Levando em conta que, na Espanha, ocorrem anualmente entre 110.000 e 120.000 acidentes vasculares cerebrais, estima-se que os novos casos de afasia cheguem a cerca de 40.000 por ano, ao mesmo tempo em que cerca de 350.000 pessoas vivem com afasia na Espanha, conforme ela expôs no âmbito do Dia do Dano Cerebral Adquirido, que será comemorado na próxima segunda-feira.

“O dano cerebral adquirido (DCA) é uma lesão cerebral que surge de forma repentina, adquirida, em pessoas saudáveis ao longo da vida e que pode deixar diversas sequelas físicas, cognitivas, emocionais ou relacionadas à comunicação”, explicou.

Em seguida, ela observou que, embora o AVC seja a “causa mais frequente” de afasia, esta também pode surgir após traumatismos cranioencefálicos, tumores, infecções, hemorragias e outras lesões cerebrais. “Além disso, pode coexistir com outras sequelas da LCE, como alterações na mobilidade de metade do corpo, na marcha ou na mão dominante”, indicou.

EVITAR O ISOLAMENTO

A afasia “está associada a maior incapacidade, pior desempenho nas atividades da vida diária, pior qualidade de vida, maior necessidade de reabilitação e menor retorno ao lar ou ao trabalho”, lamentou a especialista, que destacou o “isolamento” percebido pelos pacientes.

No entanto, a doutora Torres ressaltou que a linguagem alterada não implica necessariamente em alteração intelectual. “Algumas pessoas também podem apresentar transtorno neurocognitivo, com comprometimento da memória, da atenção, da resolução de problemas ou da velocidade de processamento”, comentou ela, para insistir que “não se deve presumir que quem não consegue se expressar também não compreende”.

Além disso, ela destacou que oferecer apoio pode “superar a barreira comunicativa” e, nesse sentido, defendeu facilitar a comunicação, dando à pessoa tempo, pistas linguísticas ou apoio visual. “Envolva a pessoa, dirija-se a ela, encontre uma maneira, pois os pacientes afirmam que estão presentes e não querem ser substituídos”, ressaltou em um apelo aos familiares, profissionais e à sociedade, a quem pediu que evitem gritos, pressa, estigmas e infantilização.

REABILITAÇÃO CONTÍNUA, PERSONALIZADA E MULTIDISCIPLINAR

Quanto à recuperação, a porta-voz da SERMEF afirmou que “ela não termina necessariamente durante o primeiro ano”, algo em que tanto os pacientes quanto as evidências científicas concordam, indicando que “a recuperação induzida pelo tratamento pode continuar nas fases crônicas, mesmo que seja mais lenta, pois o cérebro adulto mantém a capacidade de aprendizagem, reorganização e neuroplasticidade”.

Nesse sentido, ela detalhou que os estudos mais recentes propõem a realização de terapias fonoaudiológicas “intensivas e prolongadas”, além de personalizadas. Da mesma forma, ela comentou que a fisioterapia ou a terapia ocupacional também podem ser importantes, defendendo assim uma abordagem de reabilitação “multidisciplinar”.

“E a terapia não termina na sessão. É preciso buscar múltiplas tentativas de comunicação ao longo do dia. Assim como ao aprender um idioma, a prática contínua favorece o avanço”, acrescentou.

Além disso, ele destacou a contribuição das ferramentas digitais como complemento no processo de reabilitação. “Justamente a telereabilitação pode ser uma forma de tornar mais acessível um tratamento intensivo e prolongado no tempo, que pode se estender até a fase crônica”, observou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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