MADRID 19 jan. (EUROPA PRESS) - Um ensaio clínico multicêntrico publicado na revista “The Lancet” demonstrou que a administração de ferro intravenoso, adicionada à profilaxia oral habitual, aumenta a hemoglobina materna e reduz o risco de anemia em mulheres grávidas com deficiência de ferro sem anemia, além de melhorar a saúde dos recém-nascidos.
O estudo foi liderado por Khalid Saeed Khan, pesquisador da área de Epidemiologia e Saúde Pública do CIBER (CIBERESP), e contou com a participação de outros pesquisadores do CIBERESP, bem como de instituições como o Services Institute of Medical Sciences e a Fatima Jinnah Medical University de Lahore (Paquistão).
A pesquisa destaca a importância de abordar precocemente a deficiência de ferro não anêmica durante a gravidez, uma condição frequentemente subdiagnosticada que pode ter consequências significativas tanto para a mãe quanto para o feto.
Segundo explicam os especialistas, a deficiência de ferro não anêmica é caracterizada por baixas reservas de ferro — detectáveis através da medição da ferritina — apesar de manter níveis normais de hemoglobina, o que dificulta sua identificação nos exames pré-natais habituais, onde geralmente apenas a hemoglobina é avaliada. Essa deficiência pode levar à anemia materna e tem sido associada a problemas gestacionais, como fadiga extrema e restrição do crescimento fetal, e neonatais, como menores reservas de ferro no recém-nascido.
O ensaio, denominado “FAIR-Trial”, incluiu 600 mulheres com mais de 18 anos com deficiência de ferro não anêmica na primeira consulta de controle (hemoglobina de 11-13 g/dL e ferritina <30 ug/L) em três hospitais de Lahore (Paquistão). Durante o segundo trimestre da gravidez, avaliou-se se a administração de uma dose única de 1.000 mg de ferro intravenoso, adicionada ao tratamento oral padrão de doses diárias de 30 mg, melhorava a concentração de hemoglobina materna antes do parto.
As participantes foram aleatoriamente designadas para um dos dois grupos: um grupo de controle, que recebeu apenas a suplementação oral, e um grupo de intervenção, que recebeu, além disso, a dose de ferro por via intravenosa. Os resultados no grupo de intervenção mostraram um aumento médio da hemoglobina de 0,74 g/dL em comparação com o grupo de controle, além disso, nenhuma das participantes apresentou eventos adversos graves ou potencialmente fatais.
Também foi detectado que, enquanto 74% das mulheres tratadas apenas com ferro oral desenvolveram anemia antes do parto, esse número caiu para 23% no grupo que recebeu ferro intravenoso. Além disso, as participantes deste último grupo relataram níveis mais baixos de fadiga, o que se traduz em um benefício direto em sua qualidade de vida durante a gravidez. OS BEBÊS NASCERAM COM MAIOR PESO Os benefícios também se estenderam aos recém-nascidos. A restrição do crescimento fetal afetou 11% dos bebês do grupo controle, contra apenas 1% no grupo de intervenção. Além disso, os recém-nascidos cujas mães receberam ferro intravenoso apresentaram maior peso ao nascer (3,2 kg contra 2,9 kg) e maiores reservas de ferro no sangue do cordão umbilical.
À luz destas descobertas, os autores do estudo recomendam reconsiderar as estratégias de deteção atuais e incorporar a medição sistemática da ferritina, ou seja, as reservas de ferro, no início da gravidez. “A avaliação exclusiva da hemoglobina é insuficiente para detetar as mulheres em risco. A identificação precoce permitiria a aplicação de intervenções seguras e eficazes, como a administração de ferro intravenoso”, concluiu Khalid Saeed Khan, último signatário do artigo.
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