SANTA CRUZ DE TENERIFE 23 fev. (EUROPA PRESS) - Uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Instituto Kavli de Cosmologia da Universidade de Cambridge, com a participação de cientistas do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), descobriu um análogo próximo dos enigmáticos “Pequenos Pontos Vermelhos” (Little Red Dots).
Esta descoberta abre uma nova janela para compreender como se formaram e cresceram os buracos negros supermassivos no Universo primitivo, e as observações realizadas com o Grande Telescópio das Canárias (GTC) foram fundamentais para caracterizar este objeto.
Os “Little Red Dots” (LRDs) estão entre as descobertas mais interessantes do telescópio espacial James Webb (JWST), segundo uma nota do IAC.
Identificados pela primeira vez a grandes distâncias cósmicas — quando o Universo tinha menos de 1,5 bilhão de anos —, esses objetos compactos parecem abrigar buracos negros supermassivos em rápido crescimento, mas se comportam de maneira muito diferente das galáxias ativas observadas no Universo local.
De forma independente, duas equipes internacionais, uma delas liderada por Roberto Maiolino no Kavli Institute for Cosmology, identificaram as primeiras contrapartes próximas de LRDs, localizadas a apenas alguns bilhões de anos-luz da Terra.
Esta descoberta fundamental permite aos astrônomos estudar esses objetos com um nível de detalhe sem precedentes e os ajuda a entender como alguns dos primeiros buracos negros do Universo se formaram e cresceram tão rapidamente. UM MISTÉRIO CÓSMICO REVELADO PELO JWST
Os LRDs foram identificados pela primeira vez em observações profundas do JWST como galáxias fracas e compactas no Universo distante, na época chamada de “Amanhecer Cósmico”. Assim, eles mostram fortes linhas de emissão de hidrogênio, muitas vezes com componentes largos que indicam a presença de buracos negros supermassivos ativos.
No entanto, ao contrário dos núcleos galácticos ativos típicos, os LRDs são surpreendentemente fracos em raios X e infravermelho, desafiando os modelos atuais de crescimento de buracos negros e até mesmo a presença de buracos negros supermassivos nesses objetos.
Uma pista importante sobre sua natureza surgiu ao descobrir que muitos LRDs apresentam traços de absorção em suas linhas de emissão de hidrogênio, detalham desde o IAC. Isso significa que, embora esses objetos emitam um brilho intenso devido ao hidrogênio quente, eles estão rodeados por gás mais frio que absorve parte dessa energia.
Essa descoberta indica que esses objetos são, efetivamente, buracos negros ativos cercados por densas camadas de gás que absorvem a luz emitida por eles, e o problema é que determinar as propriedades desse gás denso no Universo primitivo é “extremamente difícil”.
A descoberta de LRDs localizados a apenas alguns bilhões de anos-luz da Terra mudou radicalmente o panorama, permitindo seu estudo com um nível de detalhe inacessível no Universo primitivo.
De fato, observações feitas com o Grande Telescópio das Canárias (GTC), localizado no Observatório do Roque de los Muchachos, em La Palma, do mais próximo deles, revelaram linhas fracas de emissão de ferro ionizado, o que indica a presença de gás excepcionalmente denso ao redor de seu buraco negro.
Após essa descoberta, essas linhas foram identificadas em LRDs distantes, reforçando a conexão entre as populações locais e as do Universo primitivo. “Esses Little Red Dots locais são laboratórios únicos”, afirma Xihan Ji, pesquisador do Instituto Kavli de Cosmologia e principal autor do estudo.
“Eles nos permitem estudar com detalhes exquisitos os ambientes de gás denso que teriam permitido o rápido crescimento dos buracos negros no Universo primitivo”, comenta.
Embora a amostra atual de LRDs próximas ainda seja pequena, as implicações são de grande alcance. O ITC insiste que ampliar a busca por esses objetos será crucial para compreender como eles são comuns e como se encaixam no quadro geral da evolução das galáxias e dos buracos negros.
A pesquisadora do IAC e da ULL e coautora do estudo, Cristina Ramos Almeida, acrescenta que recentemente foram concedidas 30 horas de tempo de observação no GTC para ampliar a amostra de LRDs locais e estudar suas envolventes de gás, triplicando a estatística atual. “Isso será fundamental para melhorar nossa compreensão de suas contrapartes no Universo primitivo”, explica.
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