MADRID 20 ago. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Conselho Geral das Ordens Oficiais de Farmacêuticos (CGCOF), Jesús Aguilar, e sua tesoureira, Rita de la Plaza, viajaram para Ceuta para demonstrar seu apoio a esses profissionais diante da crise humanitária que assola essa cidade autônoma.
“Neste momento, nós, farmacêuticos, estamos cientes de que a magnitude dessa emergência exige a colaboração de todos os agentes da área da saúde”, afirmou o primeiro deles, acrescentando que, por isso, a instituição ofereceu sua colaboração à Ordem dos Farmacêuticos de Ceuta e ao Instituto Nacional de Gestão Sanitária (INGESA) “para ajudar a reforçar a resposta sanitária e social que a situação exige”.
Dessa forma, Aguilar e De la Plaza se reuniram com o presidente da referida corporação de Ceuta, Mario de Miguel, e todos visitaram várias das áreas que estão sofrendo maior pressão nos últimos dias, como a Praia do Trampolín e os galpões do Tarajal. Nesses locais, conversaram com membros de ONGs e observaram o trabalho da Farmácia Príncipe Felipe, localizada no bairro de El Príncipe.
Em seguida, dirigiram-se à sede do Colégio Oficial de Farmacêuticos de Ceuta, onde mantiveram uma reunião com a secretária de Saúde desta cidade autônoma, Nabila Benzina, e a diretora-geral de Saúde, Rebeca Benarroch. A primeira delas aproveitou o encontro para destacar “a resposta oferecida pelas farmácias de Ceuta desde o início da crise”, pois “todas permaneceram abertas e garantiram a assistência à saúde à população”.
A capacidade desses profissionais de “responder e manter o serviço diante de situações especialmente complexas” foi destacada por Benzina, que liderou uma reunião seguida por outra com membros do Conselho de Administração da Ordem e com os associados que desejaram participar. Assim, foi destacado o importante trabalho sanitário e social realizado pelas farmácias comunitárias, das quais nenhuma sofreu agressões nem roubos e, pelo contrário, prestaram a assistência necessária.
“Os farmacêuticos comunitários de Ceuta deram um passo à frente para garantir o acesso e a continuidade dos tratamentos a toda a população”, insistiu Aguilar, que acrescentou que “seu trabalho está sendo um exemplo de profissionalismo, vocação e humanidade”. Além disso, ele abordou a situação do abastecimento de medicamentos em Ceuta.
SEM PROBLEMAS DE ABASTECIMENTO DE MEDICAMENTOS
A esse respeito, declarou que, de acordo com os dados disponíveis no Centro de Informações sobre Abastecimento de Medicamentos (CisMED) relativos aos medicamentos dispensados nas farmácias comunitárias, não se observa atualmente nenhum padrão que indique a existência de problemas gerais de abastecimento decorrentes da situação pela qual a cidade está passando, além dos incidentes pontuais que costumam ser administrados pelas farmácias comunitárias.
Além disso, explicou que, em agosto, está sendo registrado uma redução de 30% a 40% no número de incidentes comunicados pelas farmácias em relação aos meses anteriores, embora a situação vivida nestes dias em Ceuta possa ter influenciado esses números como consequência de uma menor saída dos cidadãos de suas residências.
“Acho que foi como um teste de estresse e nós o superamos perfeitamente”, enfatizou, por sua vez, De Miguel, que afirmou que as farmácias e a distribuição funcionaram bem. “No primeiro dia, houve de fato algum problema com a van de entrega em alguma rota, em alguma entrega, mas, tirando isso, tudo funcionou perfeitamente”, insistiu.
Depois de ambos terem destacado que, no entanto, mantém-se uma vigilância constante a esse respeito, informaram que, nos últimos dias, foi observado um aumento pontual na escassez de algumas apresentações de determinados antibióticos, especialmente fosfomicina e azitromicina. De qualquer forma, eles observaram que, por enquanto, não se trata de uma situação digna de destaque e que existem no mercado outros medicamentos com o mesmo princípio ativo e a mesma via de administração que permitem atender às necessidades terapêuticas.
Além disso, esclareceram que esse aumento pontual não tem relação com doenças como a sarna, a tuberculose ou o impetigo — sobre cujo possível aumento tem sido relatado nos últimos dias —, uma vez que nem a fosfomicina nem a azitromicina são utilizadas para o tratamento dessas doenças.
Por fim, e após De Miguel ter destacado que as farmácias de Ceuta operam com “um depósito na cidade, mas que seu depósito de referência é Sevilha”, e que, por isso, “não houve problemas”, ambos reiteraram a disposição de toda a classe farmacêutica em colaborar com as autoridades sanitárias e sociais nas medidas que possam ser necessárias. De fato, essa delegação manteve uma última reunião com o presidente da Cidade Autônoma de Ceuta, Juan Vivas, no heliporto da localidade, devido à indisponibilidade do governante, em virtude das circunstâncias atuais.
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