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MADRID 15 set. (EUROPA PRESS) -
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Autônoma de Madri (UAM) e do IMDEA Nutrição aponta que uma alimentação de melhor qualidade está associada a um envelhecimento mais saudável e a um menor risco de desenvolver diversas doenças crônicas.
A pesquisa, publicada na revista BMC Medicine, analisou dados de 84.293 participantes da coorte britânica UK Biobank durante um acompanhamento de mais de 11 anos. Os resultados mostram que padrões alimentares como a dieta mediterrânea ou a dieta DASH estão relacionados a uma menor probabilidade de passar de um estado saudável para o surgimento de uma primeira doença crônica, o acúmulo de várias patologias e a morte, segundo informa a Universidade em um comunicado.
O estudo examinou, portanto, como a qualidade da alimentação influencia as diferentes etapas pelas quais uma pessoa pode passar: desde estar saudável ou livre das doenças estudadas até desenvolver uma primeira patologia crônica, apresentar várias simultaneamente — o que é conhecido como multimorbidade — e, finalmente, falecer.
Os resultados indicam que uma alimentação de melhor qualidade está consistentemente associada a um menor risco de progredir para cada uma dessas etapas.
A TRAJETÓRIA ENTRE A SAÚDE E A DOENÇA
Ao contrário de outros estudos que analisam isoladamente a relação entre a dieta e um único desfecho de saúde, esta pesquisa utilizou um modelo de múltiplos estados. Essa abordagem permitiu observar todo o percurso dos participantes, desde um estado saudável até o surgimento de uma primeira doença crônica, o desenvolvimento posterior de multimorbidade e a morte.
Para avaliar a qualidade da alimentação, os pesquisadores utilizaram quatro índices alimentares reconhecidos internacionalmente: o Índice Alternativo da Dieta Mediterrânea (aMED), o padrão DASH — originalmente concebido para ajudar a controlar a hipertensão —, o Índice Alternativo de Alimentação Saudável (AHEI-2010) e o Índice de Dieta Saudável à Base de Plantas (hPDI).
Durante o período de acompanhamento, 22.723 participantes desenvolveram pelo menos uma doença crônica e 4.368 evoluíram para a multimorbidade. No total, foram registrados 2.886 óbitos.
MENOR RISCO NAS DIFERENTES FASES
As pessoas com maior adesão aos padrões aMED, DASH e AHEI-2010 apresentaram um risco entre 6% e 8% menor de desenvolver uma primeira doença crônica do que aquelas que demonstravam menor adesão. Além disso, os participantes que seguiam em maior medida o padrão mediterrâneo alternativo registraram um risco 28% menor de falecer sem ter desenvolvido nenhuma das doenças analisadas.
A associação também se manteve após o surgimento de uma primeira patologia. Entre as pessoas que já haviam sido diagnosticadas com uma doença crônica, uma alimentação de melhor qualidade — especialmente os padrões aMED e DASH — foi associada a um menor risco de desenvolver novas doenças.
Da mesma forma, entre aqueles que já apresentavam multimorbidade, uma maior adesão aos padrões aMED, DASH e AHEI-2010 foi associada a uma redução de 20% a 29% no risco de morte.
DIFERENÇAS DE ACORDO COM A IDADE
A análise por faixas etárias revelou algumas diferenças. Nos participantes com mais de 60 anos, a associação protetora de uma alimentação de qualidade foi mais acentuada durante a transição de um estado saudável para o surgimento da primeira doença crônica. Nos adultos mais jovens, por outro lado, o efeito benéfico foi mais evidente entre aqueles que já apresentavam multimorbidade. O estudo não encontrou diferenças relevantes entre homens e mulheres.
“Esses resultados reforçam a ideia de que a alimentação não apenas influencia o risco de desenvolver uma doença específica, mas também pode modular todo o curso da saúde ao longo da vida, incluindo a probabilidade de acumular várias doenças crônicas e de falecer”, destacou a pesquisadora de pré-doutorado da UAM e primeira autora do estudo, Aitana Vázquez Fernández, no qual também participam Humberto Yévenes Briones, Alberto Lana, Ana Baylin, Francisco Félix Caballero e Esther López García.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático