Publicado 16/06/2026 07:41

Um tratamento em fase de pesquisa, baseado em pulsos eletromagnéticos, retarda o crescimento de tumores e ativa o sistema imunológic

Esse resultado foi observado apenas em um número reduzido de animais e deverá ser confirmado em estudos mais amplos

Archivo - Arquivo - Rato de laboratório.
JACOBSTUDIO/ ISTOCK - Arquivo

MADRID, 16 jun. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe de pesquisa do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa, centro misto do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e da Universidade Autônoma de Madri (UAM), demonstrou que a aplicação de pulsos eletromagnéticos multifrequência pode retardar significativamente o crescimento tumoral e estimular a resposta imunológica contra o câncer em modelos pré-clínicos.

O trabalho abre um novo caminho para o desenvolvimento de tratamentos oncológicos não invasivos baseados em princípios físicos, em vez de químicos ou farmacológicos; os autores propõem que os pulsos eletromagnéticos desencadeiam vários mecanismos simultâneos que, em conjunto, dificultam a sobrevivência do tumor.

A tecnologia estudada, desenvolvida pelo Paso Alto Group após mais de quinze anos de pesquisa no campo da biofísica aplicada e da bioengenharia médica, utiliza campos eletromagnéticos de frequência muito baixa e alta intensidade aplicados externamente ao organismo. Ao contrário de muitas terapias atuais, ela não requer procedimentos cirúrgicos nem a administração de medicamentos, e busca aproveitar determinadas características biofísicas próprias das células tumorais com o objetivo de alterar seletivamente seu funcionamento.

“Os resultados mostram que é possível atuar sobre o tumor por meio de uma abordagem completamente diferente das estratégias convencionais e, além disso, sem detectar efeitos adversos nos animais tratados”, explica a pesquisadora do CBM Yolanda Revilla, autora principal do estudo.

UTILIZARAM UM MODELO DE CÂNCER COLORRETAL EM CAMUNDONGOS

Para avaliar a eficácia dessa tecnologia, os pesquisadores utilizaram um modelo de câncer colorretal em camundongos que mantém um sistema imunológico funcional. Os animais tratados com pulsos eletromagnéticos apresentaram uma redução consistente do crescimento tumoral e uma sobrevida significativamente maior em comparação com os animais não tratados.

Uma das descobertas mais relevantes do estudo foi a modificação do chamado microambiente tumoral, o ecossistema formado por células imunológicas, vasos sanguíneos e outros componentes que circundam o câncer e condicionam seu crescimento. A eficácia dependia de fatores como a intensidade e a frequência de aplicação do tratamento. Os protocolos mais precoces e intensivos ofereceram os melhores resultados, conseguindo um controle tumoral notavelmente superior.

“Este trabalho representa um passo importante porque demonstra, pela primeira vez em um organismo completo, que essa tecnologia pode exercer uma atividade antitumoral relevante”, destaca José María Almendral, pesquisador do CBM e autor do estudo.

As análises realizadas revelaram que os tumores tratados apresentavam amplas áreas de necrose, uma forma de morte celular associada a danos irreversíveis. Além disso, os pesquisadores detectaram sinais de estresse oxidativo e danos no DNA das células tumorais. O estresse oxidativo ocorre quando se acumulam moléculas altamente reativas capazes de deteriorar componentes essenciais da célula. Quando esse dano excede a capacidade de reparo celular, as células cancerosas podem perder sua viabilidade e morrer.

Os pesquisadores observaram um aumento significativo de macrófagos dentro dos tumores tratados. Essas células fazem parte da primeira linha de defesa do sistema imunológico e são capazes de detectar, fagocitar e eliminar células danificadas ou anômalas. Segundo os autores, esse resultado sugere que a terapia poderia favorecer uma forma de morte celular especialmente visível para o sistema imunológico, facilitando que as defesas naturais do organismo reconheçam melhor o tumor.

"Os dados indicam que não estamos observando apenas um efeito direto sobre as células cancerosas. Também parece ocorrer uma reprogramação do ambiente tumoral que favorece a resposta imunológica”, explica Konstantinos Stamatakis, pesquisador do CBM e autor principal do trabalho.

EVIDÊNCIAS DE MEMÓRIA IMUNOLÓGICA

Em alguns animais, os pesquisadores observaram um efeito especialmente notável: o desaparecimento completo do tumor. Além disso, esses animais demonstraram resistência quando posteriormente foram expostos novamente a células tumorais, uma observação que aponta para a possível geração de memória imunológica antitumoral.

Embora esse resultado tenha sido detectado apenas em um número reduzido de animais e deva ser confirmado em estudos mais amplos, ele abre a possibilidade de que esse tipo de tratamento não apenas elimine tumores existentes, mas também contribua para prevenir seu reaparecimento.

Os autores ressaltam que se trata de uma pesquisa pré-clínica e que ainda será necessário otimizar vários parâmetros antes de se considerar seu uso em pacientes. Entre outros aspectos, será preciso compreender com mais detalhes os mecanismos biológicos envolvidos e validar os resultados em novos modelos experimentais.

Mesmo assim, o estudo posiciona os pulsos eletromagnéticos multifrequência como uma plataforma terapêutica emergente promissora. Os pesquisadores já estão explorando sua possível combinação com imunoterapias atuais para potencializar a resposta antitumoral e superar mecanismos de resistência que limitam a eficácia de alguns tratamentos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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