MADRID 9 jul. (EUROPA PRESS) -
Um relatório da Aliança para a Sustentabilidade e Resiliência dos Sistemas de Saúde (PHSSR, na sigla em inglês), que reúne o meio acadêmico, a indústria e organizações globais, identifica a necessidade de a Espanha adotar uma ação precoce e coordenada para combater as doenças não transmissíveis (DNT).
O documento “Agir a tempo contra as doenças não transmissíveis”, apresentado pela AstraZeneca no Congresso dos Deputados, destaca que, nesse âmbito, o sistema não precisa apenas de mais recursos, mas sim de utilizá-los melhor, em intervenções que permitam acelerar os diagnósticos, melhorar a continuidade do atendimento, reduzir a variabilidade regional e evoluir para modelos que avaliem os resultados em saúde.
O secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla, destacou durante o evento que “a cronicidade não é nenhum tipo de desafio emergente”, mas sim “a normalidade” há “muitos anos” e, diante disso, garantiu que o sistema dispõe das “melhores ferramentas”. Nesse sentido, ele destacou a Atenção Primária (AP) e “as políticas, além do sistema de saúde, que fazem com que as pessoas vivam melhor e, consequentemente, tenham maior autonomia”.
O relatório destaca que a Espanha é um dos países com maior expectativa de vida do mundo e apresenta alguns dos melhores resultados em saúde da Europa, graças a um sistema de saúde sólido. No entanto, o relatório insta a avançar em direção a um modelo mais coordenado, interoperável e orientado para resultados de saúde, que permita continuar melhorando esses resultados em um contexto de crescente complexidade assistencial.
Nesse sentido, o relatório estabelece um roteiro com recomendações em sete áreas de atuação: saúde da população, governança, prestação de serviços, financiamento, profissionais de saúde, medicamentos e tecnologias, e sustentabilidade ambiental. Além disso, destaca a importância da coordenação territorial.
A coautora do relatório, Laia Maynou-Pujolràs, pesquisadora associada da London School of Economics and Political Science (LSE) no Departamento de Política de Saúde, destacou que “um dos principais pontos fortes do sistema” é a descentralização, já que cada uma das 17 comunidades autônomas adapta as estratégias de combate às doenças crônicas não transmissíveis às suas próprias necessidades epidemiológicas, o que impulsiona a inovação e a capacidade de resposta regional.
No entanto, ela, que também é membro do Conselho Diretor da Associação Espanhola de Economia da Saúde, afirmou que a falta de coordenação, acompanhamento compartilhado e marcos de avaliação comuns entre as regiões dificulta a comparação de resultados, bem como identificar o que funciona e garantir que as intervenções eficazes cheguem a todos os pacientes.
DADOS E ACESSO À INOVAÇÃO
Por outro lado, a interoperabilidade dos dados é identificada como um fator-chave para melhorar a tomada de decisões, antecipar riscos e reduzir desigualdades, ao mesmo tempo em que a saúde digital pode otimizar os circuitos de atendimento, apoiar os profissionais e melhorar o acompanhamento de pacientes crônicos, desde que seja integrada de forma estrutural à prática clínica.
A coautora do relatório e professora assistente do Departamento de Economia Aplicada da Universitat Autònoma de Barcelona, Laia Bosque-Mercader, afirmou que “a ação precoce depende da evidência, e a evidência depende dos dados”. Por isso, ela ressaltou que a Espanha precisa urgentemente de dados harmonizados e interligados que integrem registros clínicos, dados administrativos e registros populacionais. “Sem essa base, a tomada de decisões baseada em evidências continuará sendo inatingível”, afirmou.
Além disso, o relatório destaca a importância de garantir aos pacientes o acesso oportuno à inovação, com o objetivo de que possam se beneficiar a tempo de medicamentos e tecnologias capazes de alterar o curso da doença, reduzir complicações e evitar intervenções mais intensivas em fases avançadas.
Conforme alerta, a demora no acesso faz com que menos pacientes possam se beneficiar de tratamentos em fases mais precoces, aumentando o risco de progressão da doença e levando o sistema a ter que arcar com complicações potencialmente evitáveis e mais onerosas.
Por isso, o relatório propõe avançar em direção a um marco mais ágil, coordenado e baseado em valor, que permita incorporar a inovação de forma mais rápida e equitativa, reduzindo a variabilidade e reforçando a avaliação por resultados.
“A inovação é o eixo central do nosso sistema de saúde. Inovação para prevenir, antecipar, detectar mais cedo e intervir e tratar de forma mais precisa e personalizada. Mas, para que isso aconteça, a inovação deve chegar aos pacientes a tempo”, destacou a presidente da AstraZeneca Espanha, Laura Colón.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático