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Além disso, alerta para o consumo excessivo de pescada MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) -
96,7% das cantinas escolares na Espanha cumprem a frequência semanal de consumo de peixe — entre uma e três porções por semana —, embora a maioria sirva quase exclusivamente peixe branco e apenas 26,1% atinjam a recomendação mínima de peixe azul, estabelecida em três ou mais porções mensais.
É o que indica um relatório elaborado pela Fundação Espanhola de Nutrição (FEN) e pela Organização de Produtores de Pesca Fresca do Porto e Ría de Marín (OPROMAR), que foi apresentado nesta quinta-feira em Madri. O trabalho analisa a situação das cantinas escolares espanholas imediatamente antes da entrada em vigor do Real Decreto 315/2025, prevista para o mês de abril.
“Analisamos o contexto nas escolas e investigamos como nossas crianças se alimentam em relação ao consumo de peixe. Este real decreto, questionado pelo setor pesqueiro, indica que devem ser incluídas de uma a três porções de peixe por semana e queríamos saber se esta recomendação está sendo cumprida”, explicou o diretor-gerente da OPROMAR, Juan Carlos Martín.
O documento abrange 2.738 refeitórios de centros educacionais públicos de ensino fundamental distribuídos pelas 17 Comunidades Autônomas, avaliando o cumprimento das recomendações nutricionais relacionadas ao consumo de peixe, os valores energéticos e de macronutrientes e as espécies específicas consumidas. De acordo com os resultados, foram encontradas apenas 16 espécies de peixe branco e 8 de peixe azul consumidas regularmente. Os moluscos são servidos apenas em 15,6%, enquanto os crustáceos em 0,5%. Além disso, existe uma concentração excessiva de pescada, uma vez que está presente em 91,7% das cantinas, seguida do bacalhau (46,9%).
Quanto ao peixe azul oferecido, o salmão representa 44,8% e o atum 44,8%, embora este último seja usado principalmente como ingrediente secundário (apenas 6,8% como ingrediente principal do prato).
Com esses resultados, os autores do estudo alertam que três em cada quatro refeitórios podem não fornecer ômega-3 suficiente para o desenvolvimento neurológico infantil. “O peixe é mais do que ômega-3, são proteínas, vitaminas e minerais, que desempenham papéis muito importantes”, apontou a presidente da Fundação Espanhola de Nutrição (FEN), Rosaura Leis, que acrescentou que “é preciso reverter essa situação”.
Além disso, 43% das cantinas não fornecem informações nutricionais completas, o que impossibilita verificar o cumprimento das normas e a ingestão adequada de nutrientes. Nesse sentido, apenas 49,7% das cantinas especificam todos os ingredientes, o que dificulta a avaliação da variedade alimentar.
“Sem informações completas, a implementação do Real Decreto 315/2025 será impossível de verificar, pelo que não deve limitar-se apenas a uma avaliação nutricional teórica, mas, na medida do possível, deve ser complementada com supervisões que incluam, em determinados casos, análises bromatológicas do menu completo ou, pelo menos, a pesagem dos ingredientes utilizados”, destaca o relatório.
ARAGÃO, A COMUNIDADE AUTÓNOMA QUE SERVE MAIS PEIXE AZUL
O estudo sublinha que as diferenças territoriais no consumo de peixe azul são “abismais”. Aragão lidera a classificação com 74,4%, seguida de Castela-La Mancha (59,1%). No extremo oposto estão a Comunidade Valenciana (6,2%), Catalunha (2,7%) e Múrcia (0%). “É curioso que as comunidades autônomas do interior consumam mais peixe do que as do litoral”, apontou a FEN. Neste contexto, 30% dos centros identificados cumprem as normas, 40% requerem ajustes moderados e 30% encontram-se em situação crítica.
Com esses resultados, os autores do relatório consideram necessárias intervenções urgentes e focadas nas áreas críticas, especialmente devido ao déficit de peixes azuis. Eles também pedem a obrigatoriedade legal imediata de informações nutricionais completas nos centros e formação específica para profissionais e refeitórios.
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