MADRID 19 mar. (EUROPA PRESS) -
O especialista em pneumologia do Hospital HM Santísima Trinidad, Francisco José Roig, alertou que o tabaco e os alimentos ultraprocessados compartilham mecanismos de dependência e danos sistêmicos.
“As evidências científicas atuais demonstram paralelos fisiológicos substanciais entre o tabaco e os alimentos ultraprocessados no que diz respeito aos mecanismos de dependência, efeitos sistêmicos como inflamação e estresse oxidativo, alterações na microbiota intestinal e consequências cardiovasculares e metabólicas”, especificou Roig.
Nesse sentido, o especialista destaca que, “embora à primeira vista pareçam realidades distintas, já que fumar é uma exposição tóxica e os alimentos ultraprocessados fazem parte da dieta, as evidências acumuladas sugerem que compartilham mecanismos fisiológicos fundamentais, tanto por sua capacidade de favorecer o consumo repetido quanto por seu impacto no organismo”.
“A nicotina e determinados alimentos ultraprocessados, especialmente aqueles que combinam açúcar, gorduras e sal, ativam no cérebro os circuitos de uma rede que nos leva a repetir o que produz prazer. Nesse processo, aumenta a liberação de dopamina, um neurotransmissor que reforça o impulso de consumir novamente”, explicou.
Em ambos os casos, quando a exposição é contínua, o cérebro desenvolve tolerância. Isso significa que é necessária uma quantidade cada vez maior para obter o mesmo efeito. Ao mesmo tempo, pode diminuir a capacidade de desfrutar das recompensas cotidianas. Além disso, quando o consumo é reduzido ou interrompido, podem surgir sintomas como irritabilidade, ansiedade, cansaço ou um desejo intenso de consumir novamente.
Além de seus efeitos no cérebro, tanto o tabaco quanto os alimentos ultraprocessados causam impacto sistêmico em todo o organismo. O tabaco provoca inflamação e estresse oxidativo, fatores que danificam vasos sanguíneos e órgãos. De forma semelhante, o consumo habitual de alimentos ultraprocessados também está associado a um estado inflamatório persistente, mesmo em pessoas com peso normal. Da mesma forma, tanto o tabagismo quanto uma dieta baseada nesses alimentos podem alterar a microbiota intestinal, o que pode influenciar o metabolismo, o sistema imunológico e até mesmo o humor.
No âmbito da saúde cardiovascular, o impacto é evidente. Fumar aumenta significativamente o risco de infarto e AVC. Da mesma forma, diversos estudos internacionais e dados do National Institutes of Health associam o alto consumo de alimentos ultraprocessados a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e hipertensão.
Por fim, o especialista do Hospital HM Santísima Trinidad destaca que essas descobertas têm implicações diretas para a prática clínica, onde a avaliação do consumo de alimentos ultraprocessados deve ser integrada à avaliação do tabagismo, e para as políticas de saúde pública.
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