CENTRO DE NEUROCIENCIAS CAJAL-CSIC - Arquivo
MADRID 20 jan. (EUROPA PRESS) - Um estudo do Centro de Neurociências Cajal-CSIC demonstra que os problemas de memória e aprendizagem após o consumo de cannabis durante a adolescência são modulados por um pequeno grupo de células cerebrais denominadas astrócitos, tradicionalmente consideradas como suporte das neurônios.
A pesquisa, publicada na revista Nature Communications e liderada pela Dra. Marta Navarrete, demonstra que o principal componente psicoativo da cannabis, o tetrahidrocanabinol, ativa excessivamente os astrócitos e altera a comunicação entre as regiões envolvidas na aprendizagem. Quando essa hiperativação é reduzida em um modelo animal, os ratos não desenvolvem falhas cognitivas e podem até se recuperar. Embora os resultados provenham de modelos animais e, lembram, “não devam ser interpretados diretamente em humanos”, eles ressaltam a importância de considerar que o cérebro adolescente é especialmente sensível a fatores externos, incluindo os canabinóides.
Navarrete, responsável pelo Laboratório de Plasticidade Sináptica e Interações Astrocito-Neurônio do Centro de Neurociências Cajal-CSIC, identificou um elemento-chave, que é que os déficits cognitivos induzidos pelo tetrahidrocanabinol dependem de um conjunto específico de astrócitos, conhecido como conjunto de astrócitos.
ATORES FUNDAMENTAIS NA FUNÇÃO CEREBRAL Tradicionalmente considerados células de suporte, os astrócitos surgiram nos últimos anos como atores fundamentais na função cerebral. Essas células mantêm uma comunicação bidirecional com os neurônios e regulam processos essenciais para a transmissão sináptica. Sua complexidade é notável: cada astrócito pode estabelecer até dois milhões de conexões no cérebro humano.
“Este estudo volta a colocar os astrócitos no centro da investigação, mostrando que seu papel é determinante para o funcionamento do cérebro. Concretamente, demonstramos que a alteração dessas células é suficiente para provocar os déficits cognitivos que aparecem após a exposição ao tetrahidrocanabinol durante a adolescência”, explicam os pesquisadores.
No estudo, realizado com modelos animais, os pesquisadores monitoraram como o tetrahidrocanabinol modifica a atividade dos astrócitos do núcleo accumbens, uma região essencial do circuito de recompensa envolvida na aprendizagem e na motivação. Após a exposição ao tetrahidrocanabinol na adolescência, os ratos foram submetidos a um teste de aprendizagem espacial e aqueles tratados com tetrahidrocanabinol cometeram mais erros e apresentaram um desempenho significativamente pior, refletindo claros problemas de aprendizagem.
A aprendizagem espacial, afetada pelo tetrahidrocanabinol, foi descrita como resultado da atividade coordenada entre o hipocampo, relacionado à memória, e o núcleo accumbens. “Trabalhos anteriores do grupo mostraram que os astrócitos formam grupos funcionais especializados. Por isso, quisemos investigar o 'conjunto' de astrócitos envolvidos nesse circuito específico”, apontam. Para isso, os pesquisadores utilizaram o AstroLight, uma técnica inovadora que usa a luz para transformar a atividade do cálcio dos astrócitos na expressão de proteínas específicas. Essa ferramenta permite manipular com muita precisão a função desses astrócitos, seja aumentando ou diminuindo sua atividade.
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