MADRID 29 abr. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de cientistas liderada pela Universidade Complutense de Madrid (UCM) realizou um estudo de pesquisa que demonstrou efeitos benéficos na prevenção do diabetes tipo 2 por meio do uso de um patê funcional enriquecido com silício em modelo animal.
“Trata-se realmente de uma linha de pesquisa que acreditamos ter um futuro promissor”, afirmaram as pesquisadoras do Departamento de Farmacologia, Farmacognosia e Botânica do Grupo de Nutrição e Saúde Cardiovascular (AFUSAN), Alba Garcimartín Álvarez e Aránzazu Bocanegra de Juana, e também o pesquisador deste grupo e professor do Departamento de Nutrição e Ciência dos Alimentos deste centro acadêmico, Adrián Macho González.
Especificamente, por meio deste trabalho, publicado na revista especializada 'Foods', constatou-se que o patê de porco com teor reduzido de gordura e enriquecido com silício obtém resultados promissores na prevenção do diabetes tipo 2 em modelo animal. Por outro lado, o consumo elevado de carnes vermelhas e processadas tem sido associado a um maior risco de desenvolver essa patologia.
No entanto, sua ampla aceitação na dieta “transforma esses alimentos em uma oportunidade estratégica para reformular produtos com compostos bioativos que ajudem a prevenir ou retardar a progressão da doença”, continuaram Garcimartín Álvarez e Bocanegra de Juana.
Nesse contexto, o estudo relata que o silício proveniente da terra de diatomáceas — um pó fino formado pelos restos fossilizados dessas algas, que são ricas em silício —, incorporado como ingrediente funcional em um produto cárneo, demonstrou efeitos antidiabéticos “promissores”. Isso “reforça seu potencial como adjuvante nutricional na prevenção do diabetes tipo 2”, expõe.
Além disso, esta pesquisa representa a primeira vez que se estudam os efeitos antidiabéticos do silício em fêmeas, pois “todos os estudos anteriores haviam sido realizados em ratos machos”, declarou Macho González, acrescentando que agora é possível “afirmar que ele também apresenta eficácia em fêmeas de um ano, o que corresponderia a uma população de mulheres na pré-menopausa de meia-idade, habitualmente pouco representada em ensaios pré-clínicos e clínicos”.
FORAM ESTUDADAS TRÊS ALTERNATIVAS
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores avaliaram o efeito dos patês funcionais por meio do desenvolvimento de um modelo nutricional de diabetes tipo 2, induzido por uma dieta rica em gordura saturada e colesterol em ratas Wistar fêmeas de um ano. Dessa forma, o experimento substituiu o patê comercial por três alternativas funcionais.
Especificamente, foi utilizado um patê enriquecido com silício; outro com teor reduzido de gordura, elaborado a partir de um substituto da gordura que, além disso, dificulta sua liberação e absorção; e um terceiro combinando ambas as estratégias. A reformulação dos patês foi realizada por pesquisadoras do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos e Nutrição (ICTAN), que também são coautoras deste artigo.
Assim, os pesquisadores informaram que substituir o patê comercial por qualquer uma das três alternativas funcionais já é suficiente para gerar os efeitos benéficos. No entanto, os resultados mais favoráveis foram obtidos com o patê com teor reduzido de gordura e enriquecido com silício, o que resultou em maior sensibilidade à insulina, com reduções nos níveis de glicose, insulina e triglicerídeos no sangue e menor risco de doenças relacionadas ao colesterol.
Além disso, foram observados outros efeitos benéficos no pâncreas e nos ossos, especificamente na tíbia, que ficou maior e mais pesada, com maior teor de magnésio e fósforo. No entanto, as próximas etapas deste estudo visam aprofundar os mecanismos bioquímicos responsáveis pela melhoria da sensibilidade à insulina por parte do silício, bem como pela manutenção da função pancreática.
“Um dos passos interessantes e viáveis seria validar esses resultados em estudos clínicos que permitam avaliar a segurança, a eficácia e a dose ideal do silício proveniente da terra de diatomáceas em alimentos funcionais, bem como a aceitação do produto”, concluíram os três pesquisadores.
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