MADRID 30 abr. (EUROPA PRESS) -
O oftalmologista do Instituto Oftalmológico Fernández-Vega, Luis Fernández-Vega, recomendou que os pacientes com asma em tratamento prolongado com corticosteroides inalatórios se submetam a exames oftalmológicos periódicos para monitorar possíveis alterações no cristalino, diante das evidências de que o uso contínuo desses medicamentos está associado a um maior risco de catarata.
“Não há motivo para alarme, pois, do ponto de vista oftalmológico, o importante é que estamos falando de um possível fator de risco cumulativo, não de um risco iminente. Nas consultas, observamos que as cataratas associadas aos corticosteroides geralmente surgem após exposições prolongadas ou doses elevadas; portanto, o segredo está na vigilância e na identificação dos pacientes que poderiam se beneficiar de exames periódicos”, explicou Fernández-Vega no âmbito do Dia Mundial da Asma.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias, condicionada em parte por fatores genéticos, que se manifesta com hiper-resposta brônquica e uma obstrução variável do fluxo aéreo, total ou parcialmente reversível. Os inaladores com corticosteroides consolidaram-se como um dos tratamentos mais eficazes, uma vez que atuam reduzindo a inflamação e prevenindo as exacerbações.
Estudos recentes observaram que pessoas que utilizam inaladores com corticosteroides por períodos prolongados podem apresentar maior probabilidade de desenvolver catarata, uma patologia ocular frequentemente associada ao envelhecimento e a causa mais comum de deficiência visual e cegueira reversível no mundo. Esse possível aumento do risco tem sido associado especialmente a doses elevadas e tratamentos prolongados.
Outras pesquisas indicam que o risco não depende tanto do diagnóstico de asma em si, mas da exposição acumulada aos corticosteroides inalatórios. Nesse sentido, observou-se que quanto maior a dose e mais prolongado o tratamento, maior é a probabilidade de aparecimento de catarata.
Ao mesmo tempo, os especialistas lembram que esse risco é menor do que o associado a outros tipos de corticosteroides, como os administrados por via oral, e que deve ser sempre interpretado dentro do contexto clínico de cada paciente.
Além das cataratas, a ciência também está explorando como a própria asma poderia influenciar a saúde ocular. Alguns estudos sugerem que a inflamação crônica e os episódios de menor oxigenação associados à doença poderiam provocar alterações sutis na microcirculação da retina, inclusive em idades precoces. Essas alterações, detectadas por meio de técnicas avançadas de imagem, estão sendo estudadas como possíveis marcadores de acompanhamento em pacientes pediátricos.
“Na prática clínica, a mensagem principal é que os inaladores continuam sendo tratamentos seguros e eficazes quando usados corretamente. No âmbito oftalmológico, é importante lembrar que as cataratas são tratáveis e que sua detecção precoce permite agir a tempo”, concluiu o especialista.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático