Publicado 03/09/2026 06:34

Um novo tratamento hormonal poderia aliviar a confusão mental associada à menopausa

Archivo - Arquivo - Mulher com enxaqueca, confusão mental, menopausa.
KATERYNA ONYSHCHUK/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 3 set. (EUROPA PRESS) -

Um novo estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) sugere que um tratamento hormonal com estrogênios, que combina estriol e progesterona, poderia ajudar a aliviar as dificuldades de concentração e a lentidão no raciocínio associadas à menopausa, um conjunto de sintomas frequentemente descrito como “névoa mental” e para o qual atualmente não existe nenhum tratamento aprovado nos Estados Unidos.

O trabalho, publicado na revista “Scientific Reports”, da “Nature Portfolio”, é um estudo observacional de série de casos no qual participaram 20 mulheres na menopausa, com idade média de 53 anos. As participantes passaram por uma avaliação inicial de seus sintomas cognitivos antes do tratamento e, posteriormente, receberam, durante 12 meses, um regime personalizado de estriol e progesterona.

O estriol é uma forma natural de estrogênio produzida durante a gravidez e que tem sido utilizada na Europa e na Ásia para tratar outros sintomas da menopausa, como ondas de calor e sintomas geniturinários. O estriol difere do estradiol — o hormônio estrogênico mais utilizado nos Estados Unidos —, pois se liga principalmente a um receptor de estrogênio diferente no cérebro.

Pesquisas anteriores demonstraram que o estriol poderia desempenhar um papel na proteção das células cerebrais e na redução da atrofia cerebral no hipocampo, uma região responsável pela aprendizagem e pela memória.

Após 12 meses de tratamento, as participantes do estudo relataram uma redução significativa da confusão mental, bem como melhorias na concentração, na memória de trabalho, na velocidade de processamento, na memória verbal e na capacidade de resolução de problemas, em comparação com os sintomas que apresentavam antes do tratamento.

“Está bem documentado que os estrogênios desempenham um papel na proteção do cérebro, mas ainda não existem tratamentos aprovados, com um tipo e uma dose específicos, direcionados especificamente aos sintomas cognitivos que tantas mulheres enfrentam durante a menopausa”, afirmou a autora principal do estudo, Rhonda Voskuhl, neurologista e membro do Comprehensive Menopause Center da UCLA Health.

“Muitas vezes, diz-se às mulheres que elas simplesmente precisam conviver com a ‘névoa mental’, quando, na verdade, existe uma base neurocientífica para esses sintomas e, potencialmente, uma forma de lidar com eles. Essa lacuna no atendimento foi o que nos motivou a estudar mais detalhadamente o estriol”, acrescentou a pesquisadora.

MELHORIA NO DESEMPENHO COGNITIVO EM CAMUNHAS

Para compreender melhor como o tratamento hormonal poderia funcionar, a equipe também estudou o tratamento com estriol em camundongas adultas. O estriol reduziu os marcadores de alterações cerebrais no hipocampo, a região do cérebro responsável pela aprendizagem e pela memória, e melhorou o desempenho cognitivo dos animais, incluindo a memória de trabalho e a memória espacial.

Os autores do estudo alertam que se trata de uma série de casos pequena e preliminar, sem grupo placebo nem alocação aleatória; portanto, os resultados podem não ser generalizáveis para populações mais amplas.

Agora, são necessários ensaios clínicos de maior porte e controlados por placebo, que incluam técnicas de imagem cerebral e testes cognitivos padronizados, para confirmar esses resultados promissores sobre os sintomas cognitivos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado